NANDA ROVERE CULTURAL
NANDA ROVERE CULTURAL

Valorização da cultura brasileira



Comments: Segunda-feira, Junho 22, 2009



Cultura e descontração

Desde a chegada dos Satyros, em 2000, a Pça Roosevelt tem chamado a atenção pela arte que brota através dos espaços culturais ali instalados e a vida noturna agitada nos barzinhos com as suas mesas nas calçadas



Até o início desta década, andar pela praça Roosevelt, localizada no centro de São Paulo, não era um passeio típico do paulistano apreciador de cultura.
A praça, criada no final dos anos 70, era freqüentada por públicos diversos nos anos 80 (hippies, intelectuais, revolucionários, censores da ditadura, etc) e tinha como ponto principal o charmoso Cine Bijou, que recebia personalidades como Jô Soares.
Nos anos 90, a região estava abandonada pela administração pública e tomada por bandidos, traficantes, viciados e prostituição. Era evitada por muitos paulistanos.
Em 2000 o grupo teatral Os Satyros, cujos fundadores são Rodolfo García Vázquez e Ivam Cabral, fixaram residência na Roosevelt. Os Satyros possuem uma história interessante, com um cotidiano pautado pela ocupação de vários espaços no Brasil e exterior, por viagens, elencos diversos e um número significativo de produções nos seus 20 anos de existência. Para eles, teatro não é só entretenimento e sim um meio de indagações sobre a vida, sobre o agir e pensar dos seres humanos. Pelo uso de uma dramaturgia forte e de qualidade, com o objetivo de chocar com coerência e dar voz a personagens marginalizados pela sociedade, a conquista de um público cativo não foi fácil. Aos poucos o público foi chegando e os críticos, que relutavam em ir até a praça, foram cedendo. Os Satyros ganharam a atenção da mídia e espaços comerciais e culturais já existentes foram conquistando um público cativo; outros foram se instalando no entorno dos Satyros, cada um com estilo próprio.

Teatros

O Teatro do Ator, por exemplo, tem uma história que contempla o auge e a queda da Roosevelt. No final dos anos 60, era o Cine Bijou. Em 1999, a Recriarte - Escola de Arte investiu na reforma completa do chamado ¨primeiro cinema de arte de São Paulo¨ e inaugurou o Cine Teatro Recriarte Bijou. Mesmo antes da chegada dos Satyros obteve uma quantidade significativa de espectadores e em 2007, com o nome de Teatro do Ator, se inseriu na efervescência cultural do lugar.
Importância decisiva para reforçar o movimento artístico da praça, tiveram os Parlapatões, que deixaram o bairro de Pinheiros em 2006 e criaram o Espaço Parlapatões. Assim como os Satyros, realizam programação diversificada e recebem inúmeros espectadores.
A Cia da Revista há quase três meses abriu a sua sede no número 108 da Praça e aposta num trabalho intimista e impactante. Num misto de bar e teatro, seguindo a tendência das demais salas de espetáculos do lugar, os sócios Kleber Montanheiro (diretor) e Marília Toledo (dramaturga) acreditam na força da praça como lugar de fomento cultural: ¨O "miniteatro" consolida uma parceria de dez anos que tenho com o Kleber. A praça Roosevelt é um ponto importante de encontro de artistas e formadores de opinião de São Paulo e como já existe uma atenção da mídia e a frequência de um público que aprecia teatro, não há lugar mais propício para quem decide abrir um teatro sem patrocínio. Temos que ir para onde o público está¨. diz Marília. O Studio 184 , ao lado do Teatro do Ator, a Cia Galharufas (instalada recentemente) também merecem atenção.
O integrante dos Satyros e morador da Roosevelt Germano Pereira salienta que a Praça é a Mont Martre Parisiense, um ponto turístico internacional. ¨Talvez aqui seja o lugar por metro quadrado do Brasil que tenha mais artistas, e pensadores reunidos. É um grande festival, só que o ano inteiro¨, afirma.

Teatro e Comércio

Mas não é só pelos teatros que a efervescência é sentida por quem passa pela região à noite. A presença de estabelecimentos comerciais são essenciais para garantir o fluxo de pessoas antes e depois das sessões teatrais, já que funcionam até mais tarde para conquistar os visitantes da praça. A Barbearia e Charutaria Diplomat está lá há mais de 40 anos e a revitalização impulsionou o proprietário Renato Oberdelli a continuar ampliar o horário de funcionamento. O que antes era a boate Djalma’s, onde a cantora Elis Regina realizou seu primeiro show em 1964, há quatro anos é o bar Papo, Pinga e Petisco, que chama a atenção pelas peças de antiguidade na decoração. Outro estabelecimento que não passa despercebido é a HQMix Livraria por receber visitantes ilustres como Laerte e Chico Caruso. Gualberto Costa, dono da Livraria, afirmou que o desenvolvimento artístico do lugar o impulsionou a inaugurar a HQ Mix há dois anos.
O cartunista e dramaturgo Ruy Jobim Neto, freqüentador da Livraria e dos teatros, opina: ¨ O que mais me atrai na vida cultural daqui é o conjunto dos equipamentos culturais que foram se instalando, desde 2000, com a chegada do Satyros (livraria, os sete teatros, os bares e cafés)¨. Segundo Ruy, os grupos estão lá por causa de muita teimosia e de muito suor. ¨Deveriam receber mais apoio dos moradores e deveria ser mais divulgada a importância da praça Roosevelt dentro do quadro cultural da cidade¨, acredita.
O dramaturgo e jornalista Sergio Roveri complementa o raciocínio de Neto: ¨A praça se tornou uma espécie de vitrine de um tipo de teatro que se faz hoje em São Paulo. Um teatro preocupado com a pesquisa, preocupado em ser atual e verdadeiro, e acima de tudo um teatro que se faz na raça, em que atores, autores e diretores arregaçam as mangas juntos para colocar seus trabalhos em pé. Além disso, a praça se transformou também em ponto de encontro de artistas de diversas áreas. E normalmente de tais encontros costumam nascer coisas muito bacanas¨.

Noite na Praça

As noites fervem durante as apresentações teatrais, seja nas platéias dos teatros, seja nos bares. Depois das 22h é difícil encontrar mesas nos Satyros, Parlapatões, no tradicional bar La Barca e no Papo, Pinga e Petisco. Atores, alternativos, jornalistas, público jovem, escritores, pensadores, gente de todas as tribos possíveis se encontram na Roosevelt.
Quem acompanha a programação dos teatros pode assistir a espetáculos nos horários tradicionais de apresentações e à meia-noite, nas sextas e sábados. Muitas vezes a grade de programação dos Satyros e Parlapatões está ocupada de segunda a segunda.
Todo mês de outubro quem passa pela localidade percebe uma movimentação atípica, com ocupação das ruas e calçadas. São as Satyrianas, evento que comemora a chegada da primavera e oferece aos paulistanos uma maratona cultural ininterrupta de atividades culturais, com a duração de 78 horas. Uma celebração ao teatro e às artes, que em 2008, na sua nona edição, contou com espetáculos, exposição fotográfica, tenda de cinema, tenda destinada à dramaturgia, etc. A idéia é democratizar o acesso, pois o preço dos ingressos para as peças são definidos pelos espectadores e as demais atividades são gratuitas.
As Satyrianas foram idealizadas pelos Satyros e com a chegada dos vizinhos artistas, todos produzem programações especiais para esses dias. Atores famosos como Antonio Fagundes, Mariana Ximenez e Adriane Galisteu já participaram da maratona cultural.
O ramo imobiliário festeja a valorização dos imóveis. Em depoimento para o Jornal O Estado de SP, o síndico de um dos edifícios que ficam de frente para a Roosevelt, Sebastião Moreno, informou que um apartamento chega a custar R$ 150.

Transformação e desenvolvimento

A arte paulistana ganhará mais um importante empreendimento: A escola de teatro, que ocupará um prédio desocupado da praça e tem a sua inauguração prevista para outubro ou novembro próximo. O objetivo é transformar a escola em referência, beneficiando jovens carentes com cursos profissionalizantes em iluminação, sonoplastia, figurinos e cenários, além de áreas que ainda não possuem uma formação regular, como dramaturgia e humor.
Rodolfo García Vázquez, salienta que a praça representa o poder de transformação do teatro e se constituiu numa ¨casa¨ que abriga todos os artistas. Para ele, a praça está borbulhante e ativa, cheia de projetos e de pessoas criativas, as quais vêem na Praça o lugar ideal para se manifestar artisticamente.
Dizer que a violência terminou pela presença dos artistas não condiz com a realidade, pois ela continua embaixo da marquise, onde os sem-teto e alguns traficantes se encontram, mas a violência na calçada dos teatros é praticamente inexistente e o pontapé inicial para a diminuição de atos de vandalismos foi dado pelos Satyros.. A praça Roosevelt é hoje um dos maiores núcleos culturais e sociais da cidade de São Paulo.


ENTREVISTAS COMPLETAS:

Rodolfo, um dos fundadores dos Satyros

-Como vê a vida cultural da Pça hoje e há interação entre vocês , grupos, que ocupam o local?
RODOLFO - Sim, temos uma boa interação com os grupos que ocupam a Praça, especialmente com os Parlapatões. São parceiros de várias empreitadas.
A Praça está borbulhante e ativa, cheia de projetos e grupos de pessoas criativas e que vêem na Praça o lugar ideal para se manifestar artisticamente.
É uma casa que abriga todos os artistas.

-E como está a questão da violência no entorno da Pça?
RODOLFO - A violência na calçada dos teatros é praticamente inexistente...mas ela continua, sim, especialmente embaixo da marquise da Praça, onde os sem-teto e alguns traficantes se encontram. Nem tudo está resolvido na Praça.

-Sabe como estão os projetos de revitalização da Pça, como a questão do Pentágono?
RODOLFO - Parece que está sendo feita uma licitação para a reforma da Praça. Segundo algumas previsões, até o final do ano que vem a Praça deve estar sendo reformada.

-A que pé está o projeto da escola de teatro e o que ela trará de benefício para a Pça e para o teatro paulistano?
RODOLFO - A escola de teatro deve começar nas próximas semanas. As atividades de inauguração da escola estão previstas para outubro ou novembro próximo. As aulas começam em fevereiro do ano que vem. A ideia é de que a escola da praça possa beneficiar jovens carentes que encontrarão nela um excelente meio de se profissionalizar (em áreas como iluminação, sonoplastia, figurinos e cenários, técnicas de palco) e também em áreas que até hoje não encontram uma formação regular, como dramaturgia e humor. A ideia é de que se transforme em escola de referência para as artes do palco.

-Vinte anos dos Satyros e quase dez na Pça...o que mais te encanta na Roosevelt?
RODOLFO - A Praça representa o poder de transformação do teatro. Poder de recriar uma região da cidade, propor novas formas de urbanidade e cultura. É o exemplo vivo do poder do teatro, que nenhum político ou descrente poderá negar.

-Quais ¨tribos¨ vc encontra por lá?
RODOLFO - Atores, alternativos, jornalistas, público jovem, público nem tão jovem, escritores, pensadores, gente de todas as tribos possíveis se encontram na Roosevelt.

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Sergio Roveri – jornalista e dramaturgo. Peças como Abre As Asas Sobre Nós e A Coleira de Boris foram encenadas na Pça

-Qual a importância da pça, hoje, para a vida cultural paulistana
SÉRGIO ROVERI - Eu acredito que a praça tenha se tornado uma espécie de vitrine de um tipo de teatro que se faz hoje em São Paulo. Um teatro preocupado com a pesquisa, preocupado em ser atual e verdadeiro, e acima de tudo um teatro que se faz na raça, em que atores, autores e diretores arregaçam as mangas juntos para colocar seus trabalhos em pé. Além disso, a praça se transformou também em ponto de encontro de artistas de diversas áreas. E normalmente de tais encontros costumam nascer coisas muito bacanas.

-Quais os aspectos positivos da pça (que a presença dos espaços culturais deram destaque) e quais os pontos negativos que vc percebe quando está por lá ( que ainda a presença desses grupos não conseguiu combater)?
SÉRGIO ROVERI - O lado mais positivo é a diversidade da produção teatral que se revela ali. É a efervescência de grupos, de textos, de autores, é esta capacidade que a praça tem de renovar a cena teatral paulistana. O lado negativo continua sendo um certo descaso em relação à conservação do ambiente. Devia ser um local mais iluminado, mais bonito e que transmitisse uma sensação de segurança maior que a que temos.

-O que te leva a frequentar a pça e como foi a experiência de ver os seus textos encenados nos Satyros?
SÉRGIO ROVERI - Os Satyros têm um papel fundamental na consolidação da minha carreira. Minha primeira peça a entrar em cartaz, Vozes Urbanas, foi recebida nos Satyros Um, inaugurando o horário alternativo das terças e quartas. Depois dela, vieram outras, como Abre as Asas Sobre Nós e A Coleira de Bóris. Minha ligação com o grupo não é só profissional, sou amigo deles e ali me sinto em casa. Frequentar a praça para mim significa encontrar bons amigos e ver, na maioria das vezes, bons espetáculos também.

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Germano Pereira está em cartaz com Lady Chatterley e também com Liz, dos Satyros

-Qual a importância da presença dos grupos de teatro na Roosevelt ( e dos bares que fazem parte dos espaços), com relação a revitalização da região?
GERMANO PEREIRA - Os teatros sempre tiveram uma função social muito grande na história da humanidade. Se o teatro está morrendo é porque seu país também está morrendo. E isso não poderia ser diferente aqui na praça Roosevelt. Me lembro quando eu e Ivam Cabral chegamos aqui na praça no final do ano 2000 e alguma coisa dizia que ali era o lugar ideal. Não sabíamos exatamente o porquê, pois nada ajudava. A situação da praça não era das melhores, todos sabem. Então, logo depois chamamos Rodolfo Garcia Vazquez para ver se ele também gostava do lugar como nós de cara havíamos gostado. Ele sentiu a mesma sensação. E a partir desta data uma transformação social estava em imanência. Os Satyros viriam a dar o ponta pé inicial naquilo que hoje representa um dos maiores núcleos de transformações sociais da cidade de São Paulo.

A que você credita o sucesso desses ¨empreendimentos culturais¨, já que no início a mídia não divulgava o trabalho dos Satyros?
GERMANO PEREIRA - Na comunhão de inúmeros fatores e pessoas trabalhando para toda essa estrutura seguir adiante. E isso exige trabalho, paixão, e foco coletivo.

Como é se apresentar na Roosevelt e quais as qualidades que ela apresenta para a escolha da realização de temporadas nos teatros instalados da Pça?
GERMANO PEREIRA - Eu adoro ficar em cartaz na Praça Roosevelt. Atualmente estou com dois espetáculos, como você sabe, O Amante de Lady Chatterley, no qual escrevi para o teatro e também atuo, com direção de Rubens Ewald Filho; e Liz, do Cubano Reinaldo Montero, direção de Rodolfo, com elenco da Companhia. No Satyros 2 e Satyros 1 respectivamente. E como moro na praça sou suspeito para falar sobre isso. Mas aqui se faz um teatro de vanguarda. A praça é a Mont Martre dos pintores parisienses. Aqui estamos vivendo um momento histórico do teatro brasileiro, da cultura em geral. Quem não conhece a praça ainda, não pode deixar de con hecer. Talvez aqui seja o lugar por metro quadrado do Brasil que tenha mais artistas, e pensadores reunidos. É um grande festival, só que o ano inteiro. Agora mesmo acabei de tomar café com uma amiga, a Tucca, que estréia espetáculo esta terça às 21 horas, com texto de Mario Bortolotto. E os atores enquanto tomavam café discutiam ardentemente a construção de uma cena, um dia antes de estréia. Aqui é um lugar que as pessoas se reúnem não só para festejar, mas para pensar e criar o homem atual. Ou pelo menos entendê-lo.

O que mais te chama a atenção no trabalho dos Satyros?
GERMANO PEREIRA – Os Satyros é uma companhia atuante e inquieta, que trabalha incessantemente, estimula milhares de pessoas, como eu, e outros tantos amigos: A seguir adiante... Pensar o outro, o mundo, as questões subjetivas, a arte, a filosofia. O Satyros é um processo, não uma meta final.


Marília Toledo – a dramaturga é co-proprietária do miniteatro

- Na sua opinião, quais os atrativos da Pça Roosevelt?
MARÍLIA TOLEDO - A Praça Roosevelt é um ponto de encontro de artistas e formadores de opinião de São Paulo. Já existe uma atenção da mídia e a frquência de um público que aprecia teatro. Nada mais propício para quem decide abrir um teatro sem patrocínio. Temos que ir para onde o público está.

- Como está sendo a experiência de se apresentar na Pça ?
MARÍLIA TOLEDO - O fato de estarmos na Praça Roosevelt não mudou o estilo do nosso trabalho, mas as características físicas do "miniteatro" sim. Estamos mais concisos em relação aos cenários e figurinos e buscando um tipo de trabalho intimista, porém forte e impactante.

- Qual a importância do Miniteatro na trajetória da Cia?
MARÍLIA TOLEDO - O "miniteatro" consolida uma parceria de dez anos que tenho com o Kleber e faz com que os atores que compõe a Cia da Revista se sintam mais comprometidos e estimulados. Para um trabalho de pesquisa é fundamental ter uma sede, um espaço físico para ensaios e encontros.

- Qual é a relação entre a Cia da Revista com os outros grupos que estão na Pça?
MARÍLIA TOLEDO - Temos uma relação de amizade grande com os Parlapatões. Eles nos ajudaram muito durante o período de reforma e inauguração do espaço. Os outros grupos também nos receberam muito bem, mas profissionalmente ainda não estabelecemos nenhuma relação.


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RUY JOBIM NETO É DRAMATURGO E CARTUNISTA

-O que mais te atrai na vida cultural da pça?
O conjunto dos equipamentos culturais que foram se instalando por lá, desde 2000, com a chegada do Satyros. Foi paulatino, mas é muito visível a mudança. O que me atrai são esses equipamentos de que falei (livraria, os sete teatros). os bares e cafés complementam a parte comercial, eles são essenciais para o giro das pessoas por ali.


-E quais pontos negativos te chamam a atenção?
são três:
1) a falta de apoio dos setores públicos que poderiam fornecer mais segurança às pessoas que permanecem pela praça ou que simplesmente passam por ela
2) a falta de apoio dos moradores locais, uma vez que eles têm facilidade de acesso às peças, pelo preço mais baixo, e mesmo assim não aproveitam, fazem questão de deixar de lado
3) a falta de uma maior divulgação do que é ir ao teatro e do que é e representa a praça Roosevelt dentro do quadro geral de equipamentos culturais da cidade. a população não sabe o que é aquilo, faz noção errada e essa noção vem de longo tempo, é histórica. tem que mudar essa visão.

-Acredita que os grupos lá instalados mudaram a cara da pça (diminuição de violência, valorização dos imóveis, etc)?
Sim, positivamente. inteiramente, integralmente. e esse tipo de resposta não representa um oba-oba, pois os grupos que ali estão só ali estão por causa de muita teimosia, de muito suor, que muitas vezes é desprezado pela população.


-Você já teve com do claustro em cartaz lá. como foi a experi~encia quanto a interação com o público, frequentadores da pça, etc...
foi razoável. foi o nosso esperado. a peça já era difícil de engolir, nós não tivemos em momento algum a vontade de agradar a quem quer que fosse. foi quem teve algum tipo de curiosidade, pois o enfoque ali misturava religião com sexualidade, mas era principal e visceralmente Brasil. as pessoas que viram gostaram, comentaram bem, elogiaram o elenco, o texto, tiveram algum tipo de resposta. não foi fácil chamar público pra esse tipo de tema, mas a sala ajudou. Foi idéia de uma das atrizes, Débora Aoni,que estreássemos no Satyros 1 por vários motivos. Um deles é o público que a sala já tem, que lhe é fiel. Parte de nosso público (havia atores, diretores, cartunistas, jornalistas na platéia) foi de formadores de opinião. Até onde pudemos saber.


-Quais os tipos de público (tribos*) que vc presencia qdo está na pça?
As tribos teatrais - atores em busca de papéis, diretores em busca de montagens, iluminadores em busca de trabalho, dramaturgos se encontrando, observando gente passando, quem sabe, personagens de próximos textos. a praça é sensível nesse sentido: você está onde se produz teatro de forma incansável. é um mundo à parte.


postado por: NANDA ROVERE 10:04 PM

Comments: Sexta-feira, Maio 01, 2009



Coletiva de Vestido de Noiva


Num clima descontraído, a coletiva aconteceu na última quarta-
Feira, no Teatro Vivo.



Quem acompanha a trajetória do diretor de teatro Gabriel Villela, certamente acentua como uma das principais qualidades de seu trabalho estar cercado de uma equipe competente. A montagem Vestido de Noiva, que estréia na próxima semana, não foge dessa característica.

Elenco: Leandra Leal, Marcello Antony, Vera Zimmermann, Luciana Carnieli, Maria do Carmo Soares, Pedro Henrique Moutinho, Rodrigo Fregnan, Cacá Toledo, Helô Cintra e Flávio Tolezan.

Gabriel já montou Nelson Rodrigues na época da faculdade (A Falecida e Valsa nº 6) e depois A Falecida, em 1994, profissionalmente. O diretor está muito empolgado com essa produção.
O elenco, formado por atores experientes, chamará a atenção pela presença de Marcello Antony, Vera Zimmermann e Leandra Leal, que realizam trabalhos freqüentes na TV.
Leandra Leal, Marcello Antony, Helô Cintra e Flávio Tolezan ainda não haviam sido dirigidos por Gabriel, assim como Marcello e Leandra. Estes últimos foram convidados pelo produtor Claudio Fontana (que trabalhou com eles na novela Ciranda de Pedra) por ter percebido nos colegas o talento e o biotipo para os personagens Pedro e Alaíde. Gabriel já havia convidado Marcello para um trabalho anterior; a surpresa com relação ao talento de Leandra, por sua vez, foi muito grande, tanto que, em entrevista, o diretor a comparou à atriz Cacilda Becker.
O convite a Marcelo foi uma interessante coincidência, pois o ator estava em busca de um texto para encenar e não encontrara nada que o agradasse. Está contente por participar da montagem e destaca a linguagem própria e peculiar que o diretor possui para conduzir as cenas e a interpretação dos atores.
Vestido de Noiva foi escrito em 1943 e marca o início do moderno teatro brasileiro, pois possui uma linguagem forte, que mexe com a moral e os costumes da classe média da época, colocando o dedo nos seus tabus.
Segundo César Augusto (diretor assistente), Nelson Rodrigues aprofunda as relações humanas através da tragicomédia e de diálogos pautados por uma linguagem popular, brasileira (que proporciona aos atores uma dicção orgânica), aliando diversão e crítica social. Vestido de Noiva foi escrita durante a 2ª Guerra Mundial e os problemas dos personagens são universais, com um conteúdo que valoriza o interior dos protagonistas, completa o diretor.
A brasilidade de Nelson, que retratou muito bem o cotidiano no Rio de Janeiro, está presente na interpretação dos atores, elogiados por Gabriel Villela. Para ele, especialmente Antony e Maria do Carmo Soares têm no sangue a empatia e a brasilidade que lembra Oscarito, Dercy Gonçalves e Grande Otelo.
A peça mostra um triângulo amoroso entre Pedro (Antony), Alaíde (Leandra Leal) e Lúcia (Vera Zimmermann). Alaíde rouba o namorado da irmã Lúcia e casa-se com ele. Lúcia, por vingança, fica com o marido da irmã, Pedro. Atordoada com essa traição, Alaíde é atropelada e, prestes a morrer, revê a sua vida.
As cenas reconstituem o pensamento e lembranças de Alaíde, num misto de memória, alucinação e realidade. Desacordada, ela revive o dia de seu casamento, o suposto assassinato que cometeu contra seu marido e os planos da irmã e do marido para matá-la. Essas lembranças e alucinações são conduzidas pela figura de Madame Clessi (Luciana Carnieli), uma prostituta com a qual se identifica e que simboliza a libertação de qualquer preconceito e preceitos sociais.
Rodrigo Fregnan, que atuou em Leonce e Lena, Salmo 91 e Calígula, destaca: ¨Vestido de Noiva é uma instigante meditação sobre o amor e a morte¨. Cacá Toledo, ator que neste espetáculo está no palco e já foi assistente de Gabriel, chama a atenção para a união entre divertimento e crítica social através de um viés tragicômico.
A estrutura dramática em 3 planos distintos foi uma revolução na dramaturgia da época e a obra continua causando impacto pela crítica social e teor psicológico que contém.
O diretor chama a atenção para a atualidade de Vestido de Noiva, que disseca a mente de uma atropelada. Encontramos ¨Alaídes¨ a todo momento nas ruas, vitimas da violência e hipocrisia da sociedade.
Questionado sobre a responsabilidade de colocar no palco a montagem de um texto representativo da história do teatro brasileiro, Gabriel diz ter ensaiado de maneira ‘desencanada’, sem se preocupar com a mística que Vestido de Noiva carrega desde a histórica montagem assinada por Ziembinski, em 43.
Aluno na USP do maior estudioso de Nelson Rodrigues, Sábato Magaldi, Gabriel ressalta que o crítico e professor introduziu um pensamento libertário sobre Nelson Rodrigues. Ficou impactado com as montagens de Antunes Filho e diz ter se influenciado pelo expressionismo presente nas encenações do colega de profissão nesta montagem, mas a mão do diretor é muito precisa e clara nas cenas (ressalta o assistente de direção Ivan Andrade). Depois de Sábato e Antunes, a obra de Nelson adquiriu nuances especiais.





Para retratar os planos, Gabriel Villela aposta na capacidade dos atores de contar a história e no jogo de luz. ¨A realidade que às vezes penetra no mundo interior da protagonista se dá por informações pontuais, como os sons do acidente, os batimentos cardíacos da personagem, enquanto o médico a está operando. Mesmo assim, os dois mundos estão muito interligados, interpenetrados e intersecionados", explica. Pulsões de vida e morte conduzem as cenas.
A cenografia assinada por JC Serroni assinala o lado mórbido do texto e retrata o mergulho na mente de Alaíde, valorizando também os outros personagens. Ambienta o espectador no interior de um mausoléu, onde o público não identificará o limite entre a vida e a morte.
O figurino, de Gabriel Villela, é formado por cores fortes e impactantes, que está colocado em cena de acordo com a temperatura emocional de Alaíde.
A trilha de Daniel Maia, ressalta a atriz Helô Cintra, complementa esses elementos para dar o ¨tom¨ ao espetáculo e apresenta um clima de paixão latina, que realça, portanto, a linguagem popular do texto e da encenação.
Claudio Fontana, que produz a montagem, destaca que a viabilização do projeto (com uma equipe de qualidade) só foi possível graças à Lei Rouanet, que, mesmo com todas as críticas, é um mecanismo que garante aos artistas a possibilidade de colocarem em cartaz as suas criações.





Os personagens Pedro, Alaíde, Lúcia e Madame Clessi, segundo Marcello Antony, Leandra Leal, Vera Zimmermann e Luciana Carnieli
Para Antony, Pedro é o vértice do triângulo amoroso. É cínico, com toques de humor.
Leandra destaca que Alaíde é uma jovem que vive numa sociedade controlada por uma moral rígida, mas tem desejos que extrapolam as regras sociais.
Lúcia não age corretamente com a irmã, mas tem motivos para isso. Alaíde roubou todos os seus namorados, inclusive o homem da sua vida; por isso, se tornou uma pessoa vingativa, sinaliza Vera. Como Lúcia aparece como ¨mulher do véu¨ (um vulto) e aos poucos vai se desvelando, a atriz disse que construir a linha entre essas passagens foi um desafio.
Luciana Carnieli ressalta: Madame Clessi, uma prostituta do começo do século, da Belle Époque, que norteia a viagem mental de Alaíde, é um ídolo para ela - a imagem da mulher liberal, que a faz sair um pouco da sua vida burguesa. Foi assassinada vestida de noiva pelo seu amante de 17 anos. O personagem foi um presente para a atriz, que já trabalhou com Gabriel em espetáculos como Leonce e Lena, Gota D`Água e Ópera do Malandro.


Ficha Técnica:
VESTIDO DE NOIVA - Estréia dia 9 de maio, sábado às 21h30 no Teatro Vivo
Até 5 de julho, sextas e sábados às 21h30 e domingos às 19 horas. (A partir de junho, também às quintas-feiras às 21h30). Classificação etária: 14 anos. Texto: Nelson Rodrigues. Direção e figurinos: Gabriel Villela.Diretores assistentes: César Augusto e Ivan Andrade. Cenografia: J.C. Serroni. Trilha: Daniel Maia. Luz: Domingos Quintiliano. Elenco: Leandra Leal, Marcello Antony, Vera Zimmermann, Luciana Carnieli, Maria do Carmo Soares, Pedro Henrique Moutinho, Rodrigo Fregnan, Cacá Toledo, Helô Cintra e Flávio Tolezan. Produção Executiva: Claudio Fontana. Ingressos: R$ 60,00 (sextas e domingos, e quintas a partir de junho) e R$ 70,00 (sábados). Duração: 100 minutos.
TEATRO VIVO - Av. Chucri Zaidan, 860 - Morumbi. Telefone: 11 7420-1520. Estacionamento: Vallet R$ 15,00. Capacidade: 290 lugares. Aceita todos os cartões de crédito. Ar condicionado. Acesso para deficientes físicos.





Obs fotos de João Caldas


postado por: NANDA ROVERE 9:10 PM

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Entrevista com Tuna Serzedello





A dramaturgia voltada ao público jovem é um nicho na área teatral que merece atenção de quem aprecia teatro, pois na atualidade a cena teatral tem recebido peças de qualidade. Um dos artistas que merecem destaque pelas suas produções voltadas aos jovens é Tuna Serzedello.Fundador da Cia. Arthur-Arnaldo, Tuna é Diretor Artístico, Produtor, Ator e Dramaturgo.Formado em Artes Cênicas pela escola de teatro Macunaíma, entre as suas realizações estão: Bate Papo, de Enda Walsh (indicada ao Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem em três categorias, incluindo melhor espetáculo Jovem de 2007); Cidadania, de Mark Ravenhill, e também indicada ao Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem em três categorias, incluindo melhor espetáculo Jovem de 2008; Zé Mané, Primazé e outro Zé, de sua autoria (indicado ao Prêmio FEMSA 200, na categoria de melhor autor de texto adaptado infantil), direção Soledad Yunge; Vernissage, de Václav Havel, direção Soledad Yunge; O Casamento do Pequeno Burguês, de Bertolt Brecht, direção de Zédú Neves e A Serpente, de Nelson Rodrigues, direção de Celso Alves Cruz.Além das peças que produz e encena, Tuna é coordenador do curso de teatro do Colégio São Luís. Participa, juntamente com o Colégio, do Projeto Conexões, que une educação e arte.
O Conexões está inserido num programa do National Theatre de Londres, o NT Connections, que em mais de 120 anos de atividades montou cerca de 90 peças.

No Brasil, é uma iniciativa do British Council, Cultura Inglesa, Colégio São Luís, Célia Helena Teatro-Escola e National Theatre e há 13 anos está presente em diversos países (no Brasil, Itália, Noruega, Portugal e Estados Unidos) e busca uma conexão entre artistas de teatro e educadores, grupos de teatro amador, escolas de Ensino Fundamental e Médio.

Nesta entrevista, Tuna fala do ¨Conexões¨ e sobre a importância do teatro na vida do aluno.Para conhecer o seu trabalho, vale conferir o espetáculo DNA, que acabou de estrear no espaço dos Satyros, em São Paulo. Para saber mais detalhes: www.arthur-arnaldo.zip.net

ENTREVISTA

Nanda Rovere: Como as entidades envolvidas no Conexões se uniram e quais regiões o projeto tem atendido?

Tuna Serzedello: O British Council, o Colégio São Luís, a Cultura Inglesa e o Célia Helena Teatro Escola se uniram à idéia do National Theatre de Londres, a partir da vontade comum de todos os parceiros, que é o de suprir a lacuna existente no teatro brasileiro de dramaturgia voltada para adolescentes entre 12 e 19 anos. Essa falta afeta diretamente o trabalho dos parceiros e propõe um enorme desafio de ação. O projeto tem aos poucos ampliado o seu raio de ação. Na Inglaterra, ele atende ao país todo. Como nossas dimensões são continentais, começamos por atender a cidade de São Paulo e hoje já estamos rompendo os limites da cidade, aceitando inscritos da Grande São Paulo e temos, como residente do projeto, um grupo do Conservatório de Tatuí, participando pelo segudno ano consecutivo. A idéia é que aos poucos o projeto atenda também todo o interior paulista e outros estados.

Nanda Rovere: Quais são os objetivos do Projeto?

Tuna: O projeto visa fomentar a nova dramaturgia voltada para a faixa etária entre 12 e 19 anos, a partir do convite a autores renomados para escreverem textos inéditos e da publicação destes em um livro bilíngüe. Ao traduzir os textos brasileiros para o inglês, podemos ainda exportar a nossa dramaturgia para outros países.Uma das pólices do projeto é estabelecer uma conexão entre as escolas e profissionais de teatro, por isso os autores têm um final de semana de imersão junto aos grupos que montam os seus textos. O Conexões quer ainda melhorar a qualidade do ensino do teatro nas escolas e, para isso, oferece suporte técnico e oficinas práticas e teóricas sobre os mais diversos campos das artes cênicas, com o intuito de aprimorar o conhecimento dos grupos participantes, muitos deles em sua primeira experiência no teatro. Todas essas ações permitem o intercâmbio entre os jovens da mesma faixa etária, trabalhando por um objetivo comum: a montagem de um texto teatral. Os resultados artísticos são surpreendentes e o mais gratificante é ver o resultado humano que a experiência proporciona - os alunos vivenciam o poder transformador do teatro. O resultado é mais do que a formação de platéias: é a formação de cidadãos conscientes e questionadores.

ENTREVISTA

Nanda Rovere: Fale um pouco sobre as ações do NT Connections no mundo. Como o programa chegou até o Brasil?

Tuna: O NT Connections é a maior celebração do teatro jovem no mundo. São mais de 400 escolas participantes em todo o Reino Unido. O programa já inspirou parceiros no mundo todo e atualmente acontece na Itália, Noruega, Portugal, EUA e Geórgia.O projeto chegou ao Brasil através de um seminário realizado em maio de 2006. A Cultura Inglesa São Paulo, em parceria com o British Council, realizou o Projeto Teatro Jovem - uma semana de atividades para apresentar e discutir o teatro feito para jovens e por jovens, dentro do 10º Cultura Inglesa Festival. Foram organizados debates, workshops, seminários e leituras dramáticas, que deram início a discussões sobre o planejamento da continuidade do fomento da criação voltada para esse público específico. Entre os participantes britânicos estavam Helen Prosser (produtora) e Enda Walsh (dramaturgo), ambos participantes do projeto Connections na Inglaterra. Como resultado desta semana, surgiu interesse de profissionais de ambos os países de trabalhar com projetos na área, que é considerada deficiente no Brasil e tem como marco na última década o projeto Connections, concebido pelo National Theatre de Londres. O British Council apoiou a minha ida a Londres para presenciar a Mostra do Projeto Connections no National Theatre. A partir desses encontros, fomos encontrando uma forma para viabilizá-lo no Brasil, com a nossa cara, mas sem perder a qualidade e o espírito do projeto no Reno Unido.

Nanda Rovere: Quais as questões que uma boa dramaturgia precisa abordar para cativar o público jovem?

Tuna: O que pedimos aos autores é que escrevam a sua próxima peça pensando que ela será representada por jovens de 12 a 19 anos. Os temas e o estilo de escrita são definidos pelos autores. Não há um tema específico que mobilize os jovens; uma boa peça de teatro é sempre transformadora e muito difícil de ser escrita. No ano passado, as duas peças mais encenadas falavam sobre refugiados e a outra sobre as memórias de um professor aposentado da rede pública de ensino. Não há regra. Uma boa peça é aquela que não tenta dar nenhuma lição de moral ou ensinar alguma coisa. É aquela que encanta e desafia os jovens. Não tem receita. Por isso é tão difícil escrever para teatro.

Nanda Rovere: Qual a importância da arte-educação na valorização da cidadania e no aprimoramento do conhecimento?

Tuna: A arte dentro das escolas tem um papel fundamental de ajudar aos alunos na descoberta da sua identidade. Todas as gerações de jovens que nos precederam têm na arte os seus ícones e seus questionamentos retratados. Pense em jovens de qualquer década e já começaremos a listar seus artistas, seus livros, suas músicas, suas peças de teatro. A arte mobiliza os jovens dentro da escola para saborearem os saberes. Sem a arte não existe a ligação dos conhecimentos. A arte ajuda os alunos a compreender o que não é lógico, a representar o que não existe. Um país que tem uma população envolvida em fazer e ver teatro com certeza terá uma população mais cidadã.

Nanda Rovere: Neste sentido, em quais aspectos o contato com o teatro amplia a vida dos alunos na escola e ajuda o professor a conquistá-los para as suas matérias?

Tuna: O Teatro na Escola no nosso país ainda tem muito a conquistar. Se seguirmos o currículo oficial, o único contato que os jovens terão com o teatro virá da peça O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Resultado: os alunos desconhecem a dramaturgia e os professores não estão preparados para ensiná-la. As escolas têm como exemplo de teatro aquele que deve "ensinar" o aluno. O dramaturgo Augusto Boal costuma dizer que o ser humano "é teatro", pois é o único animal que consegue ser ator e platéia de si mesmo. Pensando assim, ainda seguindo o seu pensamento, todos podem fazer teatro, "até os atores profissionais". Se o ser humano é teatro, precisamos fazê-lo aflorar nas nossas escolas. O que acontece é que temos, ainda como herança dos anos de chumbo, a prioridade ao ensino das artes plásticas, que não mobiliza o coletivo. A escola que inclui o teatro nas suas atividades deve estar preparada para um aluno questionador, mobilizador e com poder de liderança. Por sorte, as escolas estão começando a abrir suas portas para o teatro. Quem tem a ganhar é a sociedade.

Nanda Rovere: Pode citar exemplos de alunos que melhoraram o seu rendimento escolar através da descoberta do teatro?

Tuna: Os alunos que começam a se apaixonar pelo teatro tendem a melhorar o seu desempenho acadêmico, pois no teatro percebem que as disciplinas que estudam estão interligadas. Um teatro é uma caixa formada por Matemática e Física; toda peça tem elementos de História, Geografia, Ciências e Religião. Sem muito esforço do professor, os alunos começam a fazer as ligações necessárias e descobrem que o estudo na sala de aula é um complemento importante ao prazer que ele tem fora dela. O teatro ajuda a dar ao aluno o prazer de aprender ou, no mínimo, faz com que ele seja mais efetivo nos estudos para ter mais tempo livre para o teatro.

Nanda Rovere: Como surgiu a oportunidade de trabalhar no Colégio São Luis e quais as tarefas que você realiza como coordenador do curso de teatro na instituição de ensino?

Tuna: É uma longa história, mas posso resumir dizendo que sou fruto dessa educação, pois sou ex-aluno da Instituição e comecei a fazer teatro no Colégio São Luís, com quinze anos de idade e não parei mais. Acredito no trabalho e na seriedade do colégio, pois vivi na pele essa experiência e fico feliz em poder ser o instrumento que hoje ajuda na construção de novos cidadãos. Minhas tarefas são as mais diversificadas possíveis, desde organizar nossa Mostra Anual Intercolegial de Teatro, preparar um grupo para se apresentar na Bienal de Arte dos colégios jesuítas em Minas Gerais e também ajudar os alunos na organização de um Festival de Bandas.




Para ver foto do espetáculo DNA, em cartaz nos Satyros

www.nandaroverecultural.blogger.com.br



Espetáculo DNA, em cartaz nos Satyros

postado por: NANDA ROVERE 9:10 PM

Comments: Segunda-feira, Março 30, 2009



Um Lugar que Nunca Tive de João Fábio Cabral, no Teatro Coletivo

Uma família desintegrada - Senhor, Senhora e Garoto não se reconhece mais. Num dia de Ano Novo, sempre hoje, percorrem a surpreendente estrada que os levará, talvez, de volta para casa.
O espetáculo ponta para a libertação emocional e sexual da mulher, a superação da moralidade patriarcal, as dificuldades terríveis de um adolescente em crescer e escolher caminhos próprios. Discute, sobretudo, a instituição familiar patriarcal e, num corte radical, desenha uma possível reconstrução do futuro. Mais informações...

De João Fábio Cabral. Com Cia. Ei Teatro. Elenco: Soraya Aguillera, Edson D’Santana e André Moreira. Direção: Edson D’Santana.
Até 31 de maio | Sex e Sáb 21h e Dom 20h | R$ 30 e R$ 15 (estudantes, idosos e classe teatral) | 70 min | 13 anos | Sala 1 - 134 lugares
Teatro Coletivo (Antigo Fábrica) Rua da Consolação, 1623

http://umlugarquenuncative.blogspot.com




postado por: NANDA ROVERE 1:15 AM

Comments: Quinta-feira, Março 12, 2009



HOMENAGEM

ERIBERTO LEÃO



Eri na novela Paraíso


Formado pela EAD, a cada trabalho aprimora o seu talento.
Há alguns anos mora no Rio e na cidade conseguiu realizar trabalhos de repercussão na TV, como o personagem Dimas de Sinhá Moça.
Conheci o trabalho do ator na peça Ventania, de Alcides Nogueira e direção de Gabriel Villela. Inesquecível, pois a peça era nostálgica e poética, numa direção precisa e com interpretações cativantes.
Depois prestigiei Alma de Todos os Tempos (homenagem, unindo teatro e música, aos ícones do rock que buscaram criticar a realidade e lutar por um mundo mais justo); também dirigida por Gabriel Villela. Desde então, mantenho contato com o Eri e acompanho as suas realizações no teatro, cinema e TV.
Seus personagens são interessantes e geralmente idealistas.
Entrevistei o Eri duas vezes: durante a temporada de ¨Alma¨ e uns dias após a estréia de Fala Baixo Senão eu Grito em São Paulo. Vale a pena ler as matérias e conhecer a visão de mundo ( e sobre a arte) do ator. link www.del.art.br
Acompanhei o seu aprimoramento como artista e felizmente o seu carisma e talento chamam a atenção de quem o vê em cena.
...E o que dizer do Eri depois dele ter me dito que a minha entrevista foi a que ele mais gostou de responder?! Bom, agradeço o carinho, expresso a minha admiração (pelo artista e pela pessoa que ele é) e desejo muuuito sucesso na novela Paraíso.
Paraíso estréia dia 16 março e o Eri é protagonista (personagem José Eleotério).
Chamadas da novela: http://www.youtube.com/watch?v=VpuQLnkcSW8 , http://www.youtube.com/watch?v=P44b8TWTkss&feature=related


Teatro
Ventania



Alma de Todos os Tempos, ao lado de Nábia Villela
www.aplauso.art.br/home/revistaaplauso/revista_atual.php?id=16


O Evangelho Segundo Jesus Cristo
O Karma Cor de Rosa,
Bruxas de Salém



Fala Baixo Senão eu Grito
http://www.youtube.com/watch?v=1zjK3K6Rh7w


Cinema



Onde andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado


Intruso, de Paulo Fontenelle;
Um homem qualquer, de Caio Vecchio.


TV
Duas Caras
Amazônia, de Galvez a Chico Mendes
Sinhá Moça
Cabocla .... Tomé
Marcas da Paixão .... Ivan Barreto
Serras Azuis
O Amor Está No Ar ...
Antônio dos Milagres
entre outros trabalhos


MATÉRIAS INTERESSANTES:
¨Acredito que tudo o que a gente planta, um dia a gente colhe. Eu busquei do fundo do meu coração e, quando desejamos algo, um dia a nossa hora chega - a minha chegou - e estou muito feliz¨.
¨Atuar para mim é totalmente espiritual. Para mim, não tem diferença entre a vida diária (material/física) e a vida espiritual, porque elas são interligadas, uma coisa só¨.
www.del.art.br e www.del.art.br/criticas/falabaixo.html (Por Nanda Rovere)



¨Acredito que o ofício do artista verdadeiro é ser instrumento da inpiraçao divina, que por excelencia é luz, ou seja, uma força que expande e evolui tendo como fim a evoluçao plena do ser humano, imagem e semelhança da força primordial que criou o universo. O famoso e comprovado Big Bang.¨
¨O artista verdadeiro tem a obrigação de ser coerente com seu tempo e com a sociedade que vive. Não podemos separar a arte da situação caótica que vivemos em nosso país¨...

http://jc.uol.com.br/2007/07/27/not_145563.php

http://www.youtube.com/watch?v=_m72F7mYCYk

http://www.youtube.com/watch?v=wwzeW_bUdhI

http://pt.wikipedia.org/wiki/Eriberto_Le%C3%A3o

ondeanda.multiply.com/photos/album/925

jovempan.uol.com.br/.../index.php?categoria=92

http://www1.an.com.br/2004/out/09/0tev.htm

referente ao seu personagem (escravo) Dimas da novela Sinhá Moça:
¨Nossa luta hoje não tem a ver com a cor da pele. Mas com a ditadura econômica. Se você tem dinheiro e poder é bem-tratado. Se for louro do olho azul, mas pobre, não será bem visto. A exclusão social é a nossa escravidão", www.diarioon.com.br/arquivo/4411/cadernos/tv-15917.htm

http://blogs.abril.com.br/tv/2009/02/no-paraiso-veja-foto-eriberto-leao-na-proxima-novela-das-6.html
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=617183

http://www.raizprod.com.br/raizprod/dulce.htm

portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?id=665844

http://www.youtube.com/watch?v=apyaUkfeJCo&feature=channel_page

"Não é à toa que as coisas acontecem. Acredito na sincronia do universo"
http://www.otempo.com.br/jornalpampulha/noticias/?IdEdicao=55&IdCanal=12&IdSubCanal=&IdNoticia=232&IdTipoNoticia=1
Eu acho que o ator atrai seus personagens, consciente ou insconscientemente.

http://videochat.globo.com/GVC/arquivo/0,,GO5222-3362,00.html

http://redeglobo.globo.com/Tv_globo/Noticias/0,,MUL993707-16162,00-PARAISO+JUNTA+MIL+CABECAS+DE+GADO+PARA+CENA+COM+ERIBERTO+LEAO+E+DANIEL.html

http://rmtonline.globo.com/noticias.asp?em=2&p=2&n=428052

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SOBRE O ERI
"Acho o Eriberto Leão um ator que tem muito ainda a nos mostrar pois nos surpreende a cada trabalho. Admiro suas interpretações, pois ele se entrega completamente ao personagem e isso os torna muito convincentes, verdadeiros. Admiro também sua beleza, ele é bonito com naturalidade, sem exageros, truques. Seu olhar passa verdade e seu sorriso é encantador. O Eriberto é diferente de outros atores porque tem um carisma, um magnetismo próprio. É único! Desejo todo sucesso do mundo a ele. "
visitante Adriana Gomes. www.confrariadecinema.com.br/links/personalid...



Paraíso

postado por: NANDA ROVERE 1:36 AM

Comments: Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009



ELIAS ANDREATO



Elias na novela Beleza Pura, Rede Globo


Elias é um ator estupendo. Domina o drama e a comédia, criando personagens carismáticos e inesquecíveis.
Na direção o talento de Elias não é menor, já que dirigiu montagens inesquecíveis.
Atua no teatro, cinema e TV e merece a atenção de quem aprecia as artes cênicas.
Estreou profissionalmente em 1977, em Pequenos Burgueses, numa montagem dirigida por Renato Borghi e felizmente conquistou o reconhecimento do público e da crítica.
Lua de Cetim, Artaud, O Espírito do Teatro,Van Gogh, Oscar Wilde, O Avarento e Amigas, Pero No Mucho são algumas peças em que atuou e exemplificam a competência do artista para atuar em estilos de peças diferentes.
Como diretor a peça Andaime ( na qual atua), Adivinhe Quem Vem Para Rezar, Visitando o Sr. Green estão entre as mais recentes.
No cinema participou dos filmes: O Príncipe, Boleiros, Sábado, O Efeito Ilha, Doces Poderes, Irmãos de Fé, entre outros.
Na TV merece destaque o hilário Adamastor em Beleza Pura. Não costumo seguir novelas, mas parava em frente da TV para prestigiá-lo. Era um personagem engraçado e com uma bondade tocante.
Elias é uma simpatia de pessoa e quem ainda não conhece o seu trabalho, que pena!, não perca as suas realizações.
Abaixo da homenagem texto atual Andaime, espetáculo em que Elias brilha ao lado de Claudio Fontana. Um momento especial do nosso teatro.
No Festival de Curitiba estreará Doido, que promete ser mais um sucesso da sua carreira.
Doido fala de amor, loucura e arte com a narrativa de um homem que vive personagens da dramaturgia universal. Mostra ao espectador o que essa viagem pode despertar no artista e no cidadão comum. O espetáculo não utiliza um gestual formal para que o público seja encantado pelo pensamento de grandes filósofos. (release para o Festival).



Andaime (eita dupla maravilhosa). Elias e Claudio (Fontana) dão um show em cena.:
Até 22 de fevereiro, no Teatro João Caetano em Sampa
Doido:
Dias 24 e 25 de março, às 21h
Onde comprar: no quiosque do Festival de Curitiba, no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127), e pelo Ingresso Rápido no telefone: 4003-1212. Previsão de início das vendas: 19 de fevereiro.
Endereço e telefone do teatro: Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 – Campo Comprido. Curitiba – PR. (41) 3317-3107.Site Oficial: www.teatropositivo.com.br



Leo Pacheco, Elias e Claudio em Amigas, Pero No Mucho. Também um show de interpretação desses atores!



Lua de Cetim
Lindo texto de Alcides Nogueira


MATÉRIAS INTERESSANTES:

http://ondeanda.multiply.com/photos/album/843

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=220

www.folhacidade.com.br/index.php?id=2256
jovempan.uol.com.br/jp/index.php?tag=Elias%20Andreato

http://www.spiner.com.br/JornalSpiner/noticias.php?subaction=showfull&id=1215146311&archive=&start_from=&ucat=33

http://yahoo.guiadasemana.com.br/yahoo/iframe/event.asp?/ARTES_E_TEATRO//&a=1&ID=9&cd_event=46686&cd_city=1

www.jornalcentroemfoco.com.br/atual/artesecultura.html

www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080704/not_imp200463,0.php
www.parana-online.com.br/editoria/almanaque/news/354790

www.revistainonline.com.br/ler_noticia_cultura.asp?secao=27¬icia=5691

http://www.millarch.org/artigo/muitos-aplausos-para-andreato-em-sua-peca

www.thiagogardinali.com.br/colunas/041012_sr_green.html
onne.com.br/conteudo/4858/s-rgio-roveri

http://teatrochik.terra.com.br/comentarios/comentario.asp?codigo=1171

txt.jt.com.br/editorias/2009/02/12/var-1.94.12.20090212.11.1.xml

http://www.opalco.com.br/foco.cfm?persona=materias&controle=66

www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2003/not20030127p2149.htm


"A comédia é um jeito inteligente de ver o mundo."
(Elias Andreato)



postado por: NANDA ROVERE 12:41 AM

Comments: Domingo, Fevereiro 15, 2009



Últimos dias de Calígula no SESC Pinheiros

Por Nanda Rovere


O espetáculo Calígula está em cartaz até dia 22 de fevereiro no SESC Pinheiros, com casa lotada.
A qualidade do texto, da direção, dos atores e de toda a equipe tem chamado a atenção do público e gerado críticas positivas nas mídias especializadas e textos assinados por amantes do teatro.

Vale a pena conferir! É recomendável adquirir os ingressos o mais rápido possível.

E para quem não é de Sampa, vale ressaltar que a peça passará por cidades como Santo André, Campinas, Curitiba ( Festival de Teatro), Santos, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Belo Horizonte.

SINOPSE:

Peça escrita por Albert Camus em 1942 que conta a história do imperador romano Gaius Caesar Germanicus, que reinou de 37 a 41 e foi conhecido por sua natureza extravagante e cruel. Direção: Gabriel Villela. Com Thiago Lacerda, Pascoal da Conceição, Magali Biff, Pedro Henrique Moutinho, Ando Camargo, Rodrigo Fregnan, Jorge Emil, entre outros. Cenários: J.C. Serroni. Figurinos: Maria do Carmo Soares. Duração: 1h30. Teatro Paulo Autran. Ingressos à venda pelo sistema INGRESSOSESC, a partir de 26/12. Não recomendado para menores de 14 anos.

¨Um Camus contemporaneizado, cujas ideias se expressam na construção cênica, na direção de atores, no cenário, nas roupas. No trabalho com a preciosa tradução de Dib Carneiro, cuja imponência Vilela quis manter, assim instaurando mais um estranhamento com a modernidade de sua direção. A fidelidade ao texto deixa de ser teórica, passa a ser visceral.¨

Miriam Chnaiderman, O Estado de São Paulo, 8 Jan 2009

¨um espetáculo fascinante, de fácil compreensão, envolvente, e cercado de muita competência¨.

Fábio Morales, www.cineronda.com.br/caligula/

¨Na encenação de Calígula, dirigida por Gabriel Villela, a ação da peça de Albert Camus é margeada pela referência à literatura dramática. A escrita ornamenta o fundo, invade os espaços brancos do palco e funciona como uma espécie de advertência para que o foco do espectador contemple de modo equânime os signos visuais e os argumentos esgrimidos pelas personagens em cena. São engenhosos e de forte impacto significativo os assentos do senado romano, todo ele acomodado sobre bobinas de papel pardo. E é sobre esse suporte emblemático da palavra que entra em cena para governar o imperador incansavelmente loquaz.¨

Mariangela Alves de Lima, O Estado de São Paulo, 19 de Dez 2008

¨Difícil digerir toda a mensagem da peça. Realmente os atos do imperador ‘faz o povo pensar’ como diz um dos patrícios no final da peça. Assistir Calígula não é para qualquer um. Que pena pensar assim, porque a peça incita à reflexão e todos deveriam assistir e ousar refletir. Só assim subimos na escala de humanismo¨.

Michel Fernandes, Último Segundo

¨Sabiamente, na sua análise, aproveitou ao máximo fraquezas, talentos e limites da interpretação de alguns atores. Delicado nas soluções cênicas, afina o elenco, tendo destaque o ator Pedro Henrique Montinho, numa interpretação comovente e fina. Vale a pena começar um 2009 assistindo ao trabalho de um diretor e equipe que se renovam a cada montagem, nos surpreendendo com um texto atual, otimamente adaptado - em destaque o escritor Dib Carneiro – tradutor, cheio de pensamentos necessários e contundentes nestes tempos difíceis que nos tocam viver.¨

Pamela Duncan, Ponto de vista Jornais associados

¨Thiago Lacerda comprova a diferença que faz uma boa direção no rendimento do intérprete. Linear na TV, o ator usa a insanidade do imperador romano para explorar as nuances do papel. Na visão de Villela, Calígula é um homem imbecilizado pelo poder, irracional, mas capaz de sensibilizar as pessoas, caso do poeta Scipião (vivido por Pedro Henrique Moutinho).¨

Dirceu Alves Jr, Veja SP







postado por: NANDA ROVERE 12:22 AM

Comments: Quinta-feira, Janeiro 22, 2009



HOMENAGEM
TECA PEREIRA - ATRIZ






Conheci a Teca de uma maneira bem legal. Vi que ela era amiga da Liz, minha amiga e mãe da minha prima, e a convidei para ser minha amiga no Orkut (gostei do perfil dela).

Começamos a conversar, sobretudo porque amamos teatro. Conversa vai, conversa vem, descobrimos que a Rosaly Papadopol também é uma amiga em comum!

Bom, comecei a procurar informações sobre a trajetória profissional da Teca e descobri que já vi trabalhos dela na TV e cinema! Uma simpatia de pessoa e uma atriz de grande talento!

Tudo isso já faz uns anos e hoje tenho o privilégio de manter amizade com essa talentosa atriz, mãe, mulher e lutadora...

Teca ama a sua profissão e, felizmente, tem conseguido reconhecimento (viver das artes cênicas pelas quais já ganhou e concorreu a vários prêmios), com muita garra e persistência. Afinal, o sucesso se constrói com dedicação!

Está em cartaz com o espetáculo As Encalhadas.





Alguns de seus trabalhos:



Televisão:

Duas Caras

Belíssima

Carandiru - Outras Histórias

Tenda dos Milagres/85

Os Imigrantes

Tele Curso 1º GRAU/81



Cinema:

Fim da Linha

Quanto Vale ou é por Quilo

Domésticas

Os Penúltimos Serão os Segundos - (curta)

Flôres Ímpares/95 - (curta)

A Má Criada/92 - (curta)

Love at the Top



Teatro:

Vidas Secas

Em Moeda Corrente do País

Mulheres de Hollanda

Canção dos Direitos da Criança/97

Chimbirins e Chimbirons/98

A Chorus Line

A Estrela Dalva



Teca na pag do CIDAN: http://www.cidan.org.br/novo2/cgi-local/busca_i.asp



REPORTAGENS INTERESSANTES:

http://www.youtube.com/watch?v=Lsl97Rt65uU (vale a pena conferir cenas de trabalhos de Teça na TV)

pt.wikipedia.org/wiki/Teca_Pereira

ondeanda.multiply.com/photos/album/1081

http://teatromusicalbrasil.blogspot.com/2008/02/estrela-dalva.html


postado por: NANDA ROVERE 6:40 PM

Comments:



"As Encalhadas" fala de três mulheres à beira de um ataque de nervos (Cecília, Narcisa e Grace ), ou por estarem descontentes com os seus relacionamentos amorosos, ou por ainda não terem encontrado o par ideal.

Cecília é apresentadora do programa “Mulher 2000”, presidente da A.S.A (Associação da Solitárias Anônimas) e psicóloga.

Narcisa é casada com um milionário que viaja muito e não lhe dá atenção. Descobre que foi traída e decide divorciar-se.

Grace é maquiadora do programa “Mulher 2000” e vendedora de produtos eróticos. Seu grande sonho é casar-se, mas só se envolve com homens comprometidos...

O destino dessas mulheres se cruzam e elas vivem situações regadas a muito humor.

A peça é um musical e está dividido em vários quadros.

O exagero está presente propositalmente no cenário, no desenho de luz, nos elementos de cena, na movimentação das atrizes e nos figurinos. Tudo muito colorido e beirando o brega.

O público participa do programa “Mulher 2000” e se identifica com os devaneios e desejos das personagens.

Os números musicais (cantados em playback) dão ritmo à encenação, que tem como mérito a desenvoltura das atrizes, que dominam a comédia e estão muito bem em cena.

As Encalhadas é uma peça para quem busca pura diversão no teatro. E a peça tem agradado, pois está há oito anos em cartaz!



Texto: Miriam Palma

Direção Geral: Bibi Ferreira

Elenco: Miriam Palma, Iara Brasil, Teca Pereira, Romana Vasconcelos

Teatro Sport Club Corinthians Paulista (INFORMAÇÕES)

Preço: R$ 40,00

17 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009.

Sábado, 21h; domingo, 20h.

Teatro Sport Club Corinthians Paulista

Rua São Jorge, 777 – Tatuapé - (11) 2296 7927

www.teatrocorinthians.com.br/

postado por: NANDA ROVERE 6:38 PM

Comments: Quarta-feira, Janeiro 14, 2009




O ZOOLÓGICO DE VIDRO


Cássia Kiss comemora 30 anos de carreira

com a estreia de







de Tennessee Williams.

Direção Ulysses Cruz



Dia 16 de janeiro



Sesc Anchieta/Consolação



Depois de sete anos longe dos palcos dedicando-se ao cinema e a televisão, Cássia Kiss está de volta com a nova montagem de O Zoológico de Vidro do dramaturgo norte-americano Tennessee Williams.

Com direção de Ulysses Cruz e tradução de Marcos Daud, a peça é uma tragicomédia familiar. Kiko Mascarenhas, Karen Coelho e Erom Cordeiro completam o elenco.

Encenada pela primeira vez em Chicago em 1944, O Zoológico de Vidro foi um sucesso de crítica que possibilitou a Tennessee ganhar dois prêmios, mas a consagração só viria em 1947, com a peça Um Bonde Chamado Desejo com a qual ganhou o Prêmio Pulitzer.

A nova tradução Marcos Daud privilegia o trabalho do ator e é focada nas relações familiares, sobretudo na esperança que as mães têm para o futuro de seus filhos, tudo revelado com muito humor e sarcasmo.

Amanda Wingfield (Cássia Kiss) é uma sulista de meia idade, bela e tagarela que manipula os filhos Tom (Kiko Mascarenhas) e Laura (Karen Coelho). Amanda critica a alienação de Tom, que se refugia em cinemas para escapar da realidade sufocante do seu ambiente familiar. Ela ordena que Tom a ajude na busca de um marido para Laura, cujo papel submisso e tímido no seio familiar pode ser interpretado como o reflexo das ilusões da mãe quanto ao casamento e à projeção na sociedade.



O ZOOLÓGICO DE VIDRO

Teatro SESC Anchieta (320 lugares)

SESC Consolação - Rua Dr. Vila Nova, 245

Telefone: 3234.3000

Bilheteria: de segunda a sábado, das 14h às 21h; domingo das 14h às 19h. Aceita Visa, Mastercard e cheque. Os ingressos podem ser adquiridos em toda Rede SESC



Ingressos: R$ 20



Sextas e sábados, às 21h. Domingo, às 19h.



Duração: 110 minutos, com intervalo de 10 minutos.

Recomendação: 14 anos



Estreia 16 de janeiro, sexta-feira, às 21h.

Temporada: até 22 de fevereiro.





Ficha Técnica:



AUTOR: Tennessee Williams

DIREÇÃO: Ulysses Cruz

TRADUÇÃO: Marcos Daud



ELENCO: Cássia Kiss, Kiko Mascarenhas, Karen Coelho e Erom Cordeiro.



ASSISTENTE DE DIREÇÃO: Fabiano Ryff

CENOGRAFIA: Hélio Eichbauer

FIGURINOS: Beth Filipecki e Renaldo Machado

ILUMINAÇÃO: Domingos Quintiliano

MÚSICA COMPOSTA: Victor Pozas

EFEITOS SONOROS: Laercio Salles

PRODUTORES ASSOCIADOS: Claudia Andrade e Mário Martini

REALIZAÇÃO: Cult Marketing e Eventos





O espetáculo por Ulysses Cruz

“Durante sua vida – viva” – Tennessee Williams

The glass menagerie é um clássico.

Têm merecido, no mundo todo, novas montagens cercadas de grande interesse popular.

O público entende a tragicômica vida da família Wingfield em toda sua sofisticada complexidade, identificando-se naquilo que ela tem de mais cruel e poético, envolvendo-se na busca angustiada dos seus personagens.

Enquanto Tom Wingfield recorda fragmentos de sua vida em família vemos à nossa frente um grupo de pessoas destroçadas pela frustração, que não consegue entender o que se passa a sua volta, parecendo carregar sobre seus ombros toda solidão do mundo.

Esta montagem privilegiará, sobretudo, o trabalho dos atores, já que ela nasceu a partir da vontade de duas atrizes de dar vida a esse lindo texto: Cássia Kiss (Amanda Wingfield) e Karen Coelho (Laura Wingfeld).

O que a direção pretende em primeiro lugar é auxiliá-las a expressar o mundo subterrâneo que envolve as motivações destes personagens e num segundo momento comunicar toda esta riqueza para as platéias.

A par disso, esse será um trabalho que pretende uma visualidade renovada, incentivada no texto pelo autor já na sua origem. Para isso, convidamos um dos nossos maiores cenógrafos do teatro brasileiro, Hélio Eichbauer, além de Beth Filipecki e Reinaldo Machado, figurinistas de extensa experiência no teatro, cinema e TV.

The glass Menagerie, nesta versão de Marcos Daud irá falar, também, do impacto que a expectativa do sucesso a todo custo causa na frágil constituição humana e como o instinto de sobrevivência reage a ele.

Tennessee Williams foi um autor marcado pelo seu enorme interesse nas vicissitudes humanas, compaixão e convicções morais. Suas peças, todas elas, foram dedicadas a traduzir em prosa e poesia a infindável busca humana pela pureza de coração que, como ele mesmo diz, - “é o único sucesso que vale a pena termos”.



O autor por Marcos Daud

Quem nunca sentiu o peso de ter que satisfazer as expectativas dos pais na vida pessoal e profissional?

A mãe que idealiza a melhor posição para seu talentoso filho em uma empresa de sucesso. E o melhor partido para sua adorada filha, o príncipe encantado que lhe trará segurança e felicidade.

Em O Zoológico de vidro, Tennessee Williams constrói uma das mais perfeitas sínteses do drama moderno, ao retratar os embates entre uma mãe, Amanda, e seus dois filhos, Tom e Laura, tendo, como pano de fundo, um país que começa a dar os primeiros sinais de recuperação econômica, enquanto que no resto do mundo, surgem sérias ameaças de revoluções e guerras.

Na peça de Williams, a mídia dominante é o cinema, que desperta e, ao mesmo tempo, escraviza a imaginação dos homens; que cria um espírito de dependência e fuga tão eficaz quanto à internet em nossos dias.

Nesse mundo regado a todo tipo de ilusão, Williams vai revelando, com pequenas doses de humor, os sonhos e aspirações de uma família igual a qualquer outra. A identificação com as situações vividas pelos personagens de O zoológico de vidro é imediata e faz com que a peça nos toque profundamente.

O que vai se descortinando diante de nossos olhos é a vida como ela é com todas as suas contradições e peculiaridades. E não paramos de nos surpreender com a nossa cegueira, com as nossas neuroses, com a nossa obsessão por alguma forma de reconhecimento e de sucesso.

Williams também mostra a expectativa que toma conta de nós na presença de alguém que amamos. O terror diante de uma possível rejeição; os esforços para parecermos aquilo que, afinal, não somos; a idealização do outro; a angústia quando ternura e paixão começam a se misturar dentro de nós.

Estes momentos são explorados até às últimas conseqüências pelo autor. Percebemos o quão vulneráveis podemos ser. Sentimo-nos nus, loucos por aprovação. Lançamos mão de todo o nosso repertório de emoções e frases de efeito, para impressionar a pessoa com quem queremos ficar.

Como um maestro, Williams rege as nossas emoções, nos cativa, nos hipnotiza, nos recorda o que somos e o que gostaríamos de ser. Choramos, rimos, prendemos a respiração, torcemos por um, sentimos pena do outro, nos desesperamos com o terceiro...

Quando pensamos no zoológico de vidro, naqueles pequenos animais que Laura cuida com tanto carinho, percebemos a nossa fragilidade, a nossa susceptibilidade, os nossos traumas e complexos, mas também o nosso otimismo, que sempre se renova.

Para além de tudo, Williams parece nos dizer que há uma linha muito tênue entre o sucesso e o fracasso, quase indistinta. Podemos ser empreendedores e vencer ou podemos deixar tudo passar. A escolha é, única e exclusivamente, de cada um de nós.

No final, Tennessee Williams nos brinda com o retrato de uma família que, a princípio, achávamos que era parecida com a família de nosso melhor amigo ou, talvez, de nosso vizinho. Mas sentimos um frio na barriga quando percebemos que Amanda, Laura, Tom e Jim, são membros de nossa própria família, que convivemos com eles todos os dias, que um deles pode ser um de nós. Ou melhor, que um deles é um de nós.

E aí entendemos a força de O Zoológico de Vidro. Entendemos porque ela é constantemente remontada em todo o mundo. Porque é analisada e discutida nas universidades. Porque é tão popular hoje quanto em 1944, quando estreou.

O Zoológico de Vidro é o grande drama humano do teatro moderno, talvez o maior. Em nenhum outro nos vemos com tanta nitidez. Com tanta riqueza. Um clássico que, a cada nova leitura, nos surpreende com seu frescor e com sua força

postado por: NANDA ROVERE 9:25 PM

Comments: Segunda-feira, Janeiro 05, 2009



Feliz Ano Novo em várias línguas
Alemão - 'Gutes Neues Jahr'Catalão - 'Bon Any Nou'Chinês Mandarim - 'Xin nian yu kuai' Espanhol - 'Feliz Ano Nuevo'Esperanto - 'Bonan Novjaron'Finlandés - 'onnellista Uutta Vuotta'Francês - 'Bonne Année'Galês - 'Blwyddyn Newydd Dda'Grego - 'Kainourios Chronos'Hebreu - 'Shanah Tovah'Holandês - 'Gelukkig Nieuwjaar'Húngaro - 'Boldog Ujevet'Indonesiano - 'Selamat Tahun Baru'Islandês - 'Farsflt Komandi Ar'Italiano - 'Buon Capo d'Anno'Japonês - 'Akemashite Omedetou Gozaimasu'Latim - 'Annum Faustum'Norueguês - 'Godt Nytt Ar'Polonês - 'Szczesliwego Nowego roku'





E O ANO COMEÇA COM ESTRÉIAS E RESTRÉIAS, IMPERDÍVEIS, NO TEATRO!


CALÍGULA





¨pelo grau de protagonismo, é preciso registrar a presença de Thiago Lacerda no papel central de "Calígula", dirigido por Gabriel Villela. O entusiasmo que provocou talvez se funde no despudor com que se lança no palco, sem qualquer tentativa de autopreservação. O resultado: todos os seus limites ficam expostos. E não são poucos. Mas ele se lançou por inteiro e essa vibração chega ao público. Não é suficiente para dimensão trágica exigida por Calígula. Mas com seu mergulho no escuro esse ator com certeza sai melhor dessa experiência. Por enquanto, o teatro lhe dá mais do que ele a essa arte.(AE)¨
http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=42&id=149550

¨Calígula faz uma análise profunda das nuances dos seres humanos e da arte. A arte como meio de libertação ou de dominação, a arte mágica que abre nossos horizontes - é essa arte que o espetáculo clama¨.
Gabriel Villela cria suas magias teatrais e encanta, emociona¨...
Nanda Rovere-www.atuando.com.br

Direção: Gabriel Villela. Com: Thiago Lacerda, Pascoal da Conceição, Magali Biff, Rodrigo Fregnan, Pedro Henrique Moutinho, Jorge Emil e Ando Camargo


Sesc Pinheiros - teatro Paulo Autran - r. Paes Leme, 195, Pinheiros, região oeste, tel. 3095-9400. 700 lugares. Qui. a sáb.: 21h. Dom.: 18h. Reestreia 8/1. Até 22/2

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ANDAIME
Com Claudio Fontana e Elias Andreato





¨Todas as cenas cativam: algumas possuem um ¨q¨de tristeza, melancolia e sonho, outras são engraçadas, merecendo destaque a aula de ginástica que Claudionor e Mário fazem, olhando os exercícios ministrados por uma professora através da janela do prédio e se equilibrando num espaço tão pequeno como o andaime¨...
diretor deixou o foco da encenação na interpretação dos atores. São artistas de talento e carismáticos, que conseguem provocar o riso na platéia, com o emprego de sotaques enfatizando a origem simples dos personagens migrantes. Os atores se mostram bastante empolgados com os seus personagens e com a qualidade do texto. Para a elaboração do trabalho fizeram entrevistas com limpadores de vidros pela cidade, procurando entender os medos, as dificuldades e descobrir fatos interessantes dessa profissão¨.
Nanda Rovere-www.atuando.com.br

Reestréia dia 24 de Janeiro (sábado). Estreou em março de 2007.
Até 22 de Fevereiro, sextas e sábados às 21h e domingo às 19h
Teatro João Caetano
Rua Borges Lagoa, 650 (Vila Mariana)
Tel: (11) 5573-3774
Ingressos: R$15,00
(Dias 24, 25 e 30, grátis)



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CONFISSÕES DAS MULHERES DE 30
Direção: Fernanda D'Umbra.





¨O tempo passa rápido e um dos méritos da montagem é suscitar diversão, sem deixar de lado a preocupação com o conteúdo. Confissões das Mulheres de Trinta é a reunião de mulheres jovens que atuam no seriado Motherm e estavam em busca de projetos que aliassem diversão e reflexão sobre assuntos corriqueiros. Quiseram montar um espetáculo em que pudessem falar de temas que na TV não é possível abordar com tanta liberdade...Apesar da dramaturgia estar direcionada ao universo feminino, é perceptível que os homens se divertem e se interessam em saber o que as mulheres falam sobre eles¨.
Nanda Rovere - www.jornalspiner.com.br

Com: Juliana Araripe, Camila Raffanti e Melissa Vettore. 60 min.
Teatro Folha - shopping Pátio Higienópolis -av. Higienópolis, 618, piso 2, Consolação, região central, tel. 3823-2323. 305 lugares. Sex.: 21h30. Sáb.: 20h e 22h. Dom.: 20h. Reestreia 3/1. Até 29/3.

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ESTRÉIA:
ZOOLÓGICO DE VIDRO

ELENCO: Cássia Kiss, Kiko Mascarenhas, Karen Coelho e Erom Cordeiro
Dir Ulyssez Cruz





Estou muito curiosa, pois admiro muito o trabalho do Ulysses. Assisti quase tudo que ele dirigiu. Ele, que se dedica à TV, faz falta no teatro!

De 16/01 a 15/02 - Sex, Sab e Dom
Horário: às 21h
Preço: R$20,00 - $
Sesc Consolação
Rua Dr. Vila Nova - 245

Cássia Kiss comemora seus 30 anos de carreira
No enredo é interpreta Amanda Wingfield, uma sulista de meia idade que manipula os filhos Tom e Laura. Amanda critica a alienação de Tom, que se refugia em cinemas para escapar da realidade sufocante do seu ambiente familiar. Ela quer que o filho a ajude na busca de um marido para Laura, cujo papel submisso e tímido no seio familiar pode ser interpretado como o reflexo das ilusões da mãe quanto ao casamento e à projeção na sociedade.

Nesta nova tradução de Marcos Daud, a peça privilegia o trabalho do ator e é focada nas relações familiares, sobretudo na esperança que as mães têm para o futuro de seus filhos, tudo revelado com muito humor e sarcasmo.


A peça já foi apresentada em cidades do interior paulista e recebeu críticas positivas.



postado por: NANDA ROVERE 1:30 AM

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MÚSICA

CDS QUE OUVI E CURTI MUITO EM 2008:


ANTHONIO - CD BRICABRAQUE





Anthonio lança o CD Bricabraque
Por Nanda Rovere

Bricabraque é o seu terceiro CD. O repertório é formado basicamente por composições de Antenor Pimenta e nos faz viajar por ritmos brasileiros como samba, baião, canção, congado e calango.
Algumas canções são dançantes, outras são mais românticas, mas todas primam pela qualidade na criação das letras e das melodias.
Anthonio se mostra mais competente do que nunca. A sua bela voz alcança com maestria o tom dos diversos ritmos musicais.
Os seus trabalhos possuem a sensibilidade da arte mineira e cada um transmite ao ouvinte diferenciadas emoções.
Anthonio, era um CD romântico em alguns momentos e essencialmente mineiro, quanto ao repertório - com a presença de sons das festas populares e religiosas - (A voz no tempo, Anthonio/Fernando Brant;Viola violar, Milton NascimentoMárcio Borges;Do Rosário, Anthonio/Milton Nascimento, entre outras).
Candombe System é eletrônico misturado aos ritmos brasileiros. Um trabalho que reflete a preocupação do artista em apresentar a riqueza da música brasileira;inova ao interpretar, por exemplo, o sucesso Aquarela do Brasil de maneira criativa e diferente.
Bricabraque foi lançado em agosto e vale a pena acompanhar a agenda de Anthonio para prestigiar os seus shows.
Um dos momentos mais importantes e bonitos de sua trajetória profissional foi a participação no show "Tambores de Minas" de Milton Nascimento, dirigido por Gabriel Villela (1997), mas o seu currículo é recheado de sucessos e vale a pena visitar o link
http://www.myspace.com/anthoniomusic para saber mais sobre esse talentoso artista.

Anthonio cativa pela paixão que possui pela música e pela cultura popular. Conseguiu unir de maneira inteligente o popular/ o folclore e o eletrônico, valorizando a emoção a cada nota musical.

É um artista sempre em busca de desafios e do aprimoramento profissional.

Vale a pena conferir o talento de Anthonio no CD Velho Chico, que em parceria com Babaya interpreta canções que têm como tema o Rio Sâo Francisco. A obra encanta pelo lirismo e pela homenagem que faz ao rio. A produção é assinada pelo músico Marcos Viana. Para mais informações: www2.uol.com.br/marcusviana


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MARINA MACHADO - CD TEMPO QUENTE
Por Nanda Rovere




Ouvi a voz de Marina Machado pela primeira vez no CD Aos Olhos de Guignard (isso há uns seis anos), registro do show homônimo realizado por ela em parceria com o grupo Amaranto.

A sua voz afinada e enigmática, que alimenta a nossa alma e aguça os nossos sentidos, me tocou de uma tal maneira que fiquei curiosa em conhecê-la melhor. Sempre que a escuto entro numa espécie de êxtase, no qual o stress da vida é deixado de lado e a paz emana no coração, a mesma paz que Minas Gerais transmite.

Marina é atriz talentosa (tive o privilégio de ver seus trabalhos com a Cia. Burlantins) e isso a ajuda a ter uma presença encantadora no palco. Cada música ganha uma interpretação ímpar e dá vontade de ouvi-la cantar durante horas e horas.

Milton Nascimento, um artista mágico, que cria pérolas musicais e as interpreta divinamente, percebeu na Marina uma áurea especial e a convidou para fazer parte do CD Pietá. O resultado foi extraordinário, afinal foi a junção de dois mestres na arte do canto.

Ela, que é mineira, tem reconhecimento no seu estado de origem e no exterior, devido às viagens com o show Pietá, mas no Brasil ela ainda é pouco conhecida. Seu talento precisa ser conhecido (e reconhecido) pelas pessoas que gostam de ouvir boa música e viajar com o ecoar de belíssimas potências vocais.

Lançou o álbum Tempo Quente (terceiro solo de sua carreira) e está fazendo shows para apresentá-lo ao público.

É um CD gostoso de ouvir e que proporciona momentos de descanso.

Alguns destaques: Grilos, composição pouco conhecida de Roberto e Erasmo Carlos. Lilia emociona, pois Milton a fez para a sua mãe; é instrumental porque a saudade e a admiração por ela o impossibilitaram de colocar letra. Candura, de Max de Castro, é romântica e fica encantadora na interpretação de Marina. Seu Olhar prova que Seu Jorge tem conquistado merecidamente espaço no mercado fonográfico...

Todas as faixas são de qualidade e apresentam compositores conhecidos e desconhecidos de nossa MPB. Participações especiais de Seu Jorge, Samuel Rosa e Milton Nascimento.

Dia 8 de julho se apresentou no bar Bourbon Street em Moema. A apresentação foi encantadora e embalada essencialmente pelas canções do excelente Tempo Quente.

Dirigida pelo Rodolfo Vaz e com um vestido rosa esfuziante, Marina valorizou o seu lado moleca, ora com um ar mais tímido, ora com um ar mais traquina. Conversa algumas vezes com o público e o instiga a acompanhar as músicas.

Ventiladores no palco (referência ao Tempo Quente) movimentam seu vestido tal como Marilym Monroe em O Pecado Mora ao Lado, ressaltando o clima romântico do CD.

No bis, a maravilhosa Casa Aberta ( Flávio Henrique e Chico Amaral), que tornou a Marina conhecida no mundo todo e ganha beleza ímpar na voz da cantora.


Site:
marinamachado.com.br
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=152976247

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NÔ STOPA - NOVO PRÁTICO CORAÇÃO




¨Nô Stopa faz música brasileira contemporânea que não apela para modismos, sons delicados que não soam frágeis nem quebradiços, rock que é sutil e discreto, música intimista que não se perde nos domínios do umbigo do artista.

(Por Camilo Rocha)¨



SHOWS

16 de Janeiro
Espaço Alberico - Pinheiros/SP

31 de Janeiro
Villagio Café - Pinheiros/SP

13 de Fevereiro
Nô Stopa e Roberta Campos
Café Paon - Moema/SP


e um músico que alegra a minha vida desde 1997

O CORAÇÃO DO HOMEM BOMBA-ZECA BALEIRO





Mais um CD criativo e que apresenta toda a genialidade de Zeca, que além de excelente compositor, é um cantor ¨de primeira¨

Quem me ¨apresentou¨ o Zeca foi o Fernando Muzzi (músico mineiro), amigo que temos em comum. Ouvi e nunca mais parei de curtir as músicas geniais do artista.

TEM O CORAÇÃO DO HOMEM BOMBA VOL 2

http://www2.uol.com.br/zecabaleiro/


-SHOWS MARCANTES DE 2008


SHOWS

-NEY MATOGROSSO - INCLASSIFICÁVEIS








Que voz, que energia, que sensualidade!


-ELBA - QUAL ASSUNTO MAIS LHE INTERESSA?
Grammy Latino por esse CD!





Que voz, que energia! Já vi alguns shows dela e sempre é uma delicia!


-MARINA MACHADO





Desde a primeira vez que a ouvi cantando fiquei pirada pela voz! Já a conhecia pessoalmente, simpatia!, e vi o trabalho dela na Cia Burlantins, mas nunca havia assistido a um show.


-FLÁVIO VENTURINI
Música em forma de poesia, ou o contrário?





-IVAN LINS E FRANCIS HIME, PROJETO PIANO NA PÇA
DUAS SIMPATIAS E DOIS TALENTOS INQUESTIONÁVEIS!









-MÔNICA SALMASO
O que dizer do show de uma cantora que tem uma voz divina (e que simpatia!), que interpreta canções de Chico Buarque ( minha grande paixão musical hehehe)?! Lindooooooo!!!





--LENINE
SHOW LABIATA NO SESC PINHEIROS





FINALMENTE ASSISTI A UM SHOW DESSE MÚSICO QUE TANTO ADMIRO!


postado por: NANDA ROVERE 1:24 AM

Comments: Sexta-feira, Dezembro 12, 2008



ENTREVISTA SERGIO MÓDENA
Por Nanda Rovere



Nanda Rovere e Sergio Módena - estréia de Cine-Teatro Limite, Teatro Sérgio Cardoso


Esse ator, formado em Artes Cênicas na Unicamp e que se especializou em teatro na École Philipe Gaulier em Londres, não para de brindar o público com espetáculos, seja atuando dirigindo ou assinando a autoria do texto.
Reside no Rio de Janeiro, mas está sempre trabalhando em São Paulo. Entre os seus sucessos como ator estão Leonce e Lena, dir Gabriel Villela e A Incrivel Confeitaria do Sr Pellica, de Pedro Brício . Escreveu e dirigiu "Coração Inquieto - Memórias de Santo Agostinho" e adaptou a obra de Andersen, "A Roupa Nova do Imperador, 2002-RJ e SP, entre outras realizações.
Há três anos como integrante da Cia Zepellin de Teatro, está em São Paulo com o grupo para as apresentações de Cine-Teatro Limite, no Teatro SESC Consolação. É co-diretor ao lado de Pedro Brício.
O que você carrega ainda hoje do aprendizado na Unicamp?
Quase tudo. A universidade sempre marca profundamente quem passa por ela e deseja o conhecimento. Tive meu primeiro contato com profissionais do teatro, enquanto estudava na Unicamp. E professores como Márcio Aurélio, Márcio Tadeu, Maria Lucia Candeias e Sílvia Fernandes me ajudaram, de modo vertical, a vislumbrar a possibilidade de ver o teatro como um instrumento poderoso de expressão, com um senso de responsabilidade e uma perspectiva histórica determinantes que, quero acreditar, carrego sempre comigo.
Qual a diferença do método de ensino (e da própria visão sobre o teatro) no Brasil e na Inglaterra?
Minha experiência na Inglaterra foi com o Philipe Gaulier, que é francês. Ele foi convidado pelo governo inglês para lá montar uma sede de sua famosa escola de Paris. Portanto, os cursos que fiz em Londres tinham por base a filosofia do “Teatro da Cumplicidade”, formado por Philipe algumas décadas atrás e que é essencialmente diferente do teatro inglês tradicional.
Com Philipe, estudei Shakespeare, Tchecov e Melodrama. Este último, absolutamente marcante, pois se trata de uma aula de despudor, uma verdadeira batalha contra nossa percepção do correto e do comedido. O melodrama nos faz ver nosso ridículo e, sem tentar escondê-lo, nós o abraçamos publicamente.
Há mesmo diferença entre a vida teatral em São Paulo e no Rio?
Sim. Acho que, financeiramente, vivemos um momento mais difícil no Rio de Janeiro. Vejo aqui (São Paulo) a ampla política cultural do SESC e sei que isso faz muita diferença para a continuidade de trabalhos que não se enquadram no perfil comercial.
Em outras palavras, essa política cultural, que deveria ser oferecida também pelo governo, não se encontra no Rio de Janeiro. Mas o Rio é uma cidade cheia de talentos e possui um caráter iconoclasta que me agrada muito. Na verdade, acho as duas cidades complementares. Mas o grito de socorro carioca no momento é ensurdecedor. Urgente e necessário.
Porque a escolha do Rio para residir e trabalhar?
Mudei-me para o Rio por outros motivos, de cunho pessoal. Quando vi, estava trabalhando, com casa montada e uma vida cheia de planos para a cidade. Mas nunca deixei São Paulo completamente. Voltei muitas vezes para encenar peças, atuar, escrever, etc. Quer dizer, São Paulo nunca me deixa muito tempo fora e acho isso ótimo. Às vezes penso em voltar, mas hoje em dia eu me sinto completamente dividido entre essas duas cidades maravilhosas. Por isso, sempre digo, vivo lá e cá.
A Cia Razões Inversas, de Márcio Aurélio, é referência de qualidade teatral. Fale da experiência de ter participado da companhia.
Participei como ator na montagem de “Senhorita Else”. Foi um momento inspirado da Companhia Razões Inversas. A peça obteve uma ótima repercussão. Como sempre quis dirigir, observei atentamente o método de criação do Márcio. É incrível como ele consegue atingir uma linguagem poética e inteligente, e como sua percepção da obra eleva nossas atuações. Sou grato ao Márcio por ter me ensinado a ser um ator-criador. Alguém que enxerga a profissão de um modo mais amplo e responsável. Sem contar que ele é muito engraçado, coisa que não se enxerga num primeiro momento quando você o conhece.
Como surgiu a oportunidade de atuar em Leonce e Lena e como é trabalhar com Gabriel Villela?
Fiz um teste para o espetáculo. Foi um momento de pânico, pois um dos quesitos do teste era cantar. Agora, imagine você cantar depois da Nábia Villela e do Leo Diniz! Pensei comigo: bom, o texto está seguro, mas e o que faço agora com essa cantoria? Foi então que resolvi cantar música sertaneja. Quando vi, eu estava lá cantando Chico Mineiro para fazer uma peça do Karl Georg Buchner. Não porque achei que o Gabriel iria gostar, mas era o que eu tinha para oferecer. Era como um personagem, um jeito de cantar que, em última instância, não era meu, mas uma caricatura, ou melhor, uma evocação da sonoridade caipira. Eu ouvi muito esse tipo de sonoridade, pois sou do interior de SP. Era também algo genuíno e veio ao encontro da proposta de encenação do Gabriel.
Então acho que consegui colocar minha personalidade. E isso ajudou muito para que o Gabriel me escalasse para o papel do Valério, um personagem fundamental na trama e que tem uma levada bem popular.
Considero “Leonce e Lena” um dos meus maiores desafios. O personagem era muito complexo e difícil, pois, ao mesmo tempo em que ele trazia consigo elementos da melhor tradição dos famosos bobos de Shakespeare e da figura do arlequim, a peça como um todo possuía uma fragmentação absurda que desmontava as armações clássicas de uma comédia. E Gabriel me colocou ainda mais desafios. Corporalmente, a montagem tinha uma estética rigorosa e eu tive que me adequar a ela. E, no final, lembrei do que ele me dizia no início do processo: “ Tudo isso vem para libertar”. Isso é um processo fundamental de aprendizado, pois realmente tudo aquilo me libertou para a criação. Até minhas dificuldades me deram elementos de composição. Aquela mamadeira que eu usava era fruto das minhas dificuldades e ela se tornou parte fundamental do personagem. Acho a encenação do Gabriel para essa peça uma coisa genial. Era divertida e também densa, apropriava-se do universo do Buchner de modo muito criativo e era radical em suas escolhas.
E como é essa parceria com o Brício, dirigir com ele e ser dirigido por ele?
Foi interessante, pois fui dirigido por ele duas vezes antes, em “A Incrível Confeitaria do Sr Pellica”( texto dele, vencedor do Prêmio Shell) e “Fim de partida” do Beckett. Essa convivência ajudou muito para a parceria de agora. Nós nos entendemos bem e sabemos respeitar o lugar um do outro. Tudo o que me disseram sobre direção em dupla se provou falso. Quero dizer, nunca brigamos e sempre mantivemos atitudes conciliadoras, de união do grupo em busca dos objetivos da montagem. Nem eu nem ele gostamos de perder tempo.
Para dirigir você usa a sua experiência de ator?
Sim, é algo que não tem como ignorar. A grande vantagem de ser um ator na hora em que se dirige é entender as fragilidades de quem está em cena. Eu me transporto rapidamente para o palco, para aquela situação de extrema vulnerabilidade e também de extremo poder, e busco entender as motivações e/ou os medos de cada ator.
Um diretor muitas vezes é um psicólogo. Temos que entender como devemos acessar os recursos de cada ator. A prática da atuação nos dá essa visão de um modo muito preciso.
E a dramaturgia, de onde vem a inspiração? Quais autores admira?
Geralmente vem de algo que estou estudando, sem a menor pretensão de escrever. Dos autores, fico com Tchecov, Pinter, T. Willians, Albee, Beckett, Nelson Rodrigues, Shakespeare e Molière. Todos eles moldaram o que entendemos por dramaturgia nos dias de hoje. E gostaria de citar Newton Moreno entre os jovens autores da nova dramaturgia brasileira. Acho que estamos vivendo uma renovação da escrita. E temos gente de talento. Assim como o Pedro Brício. Ambos já possuem uma trajetória, uma obra, e isto não é pouco.
Como é dividir a direção com o Pedro Brício em Cine-Teatro Limite?
Foi um ótimo exercício de cumplicidade e generosidade. O que parecia ser mais grave, o fato dele ser também o autor, mostrou-se exatamente o contrário. Pedro estava aberto a sugestões e acho que fizemos uma boa parceria. Eu procurei entender a obra ao seu lado. E ele, de certo modo, a redescobria em cena. Realmente, uma peça só diz ao que veio depois que chega ao palco. É da natureza do teatro ser um mistério até para quem a escreve enquanto não for mostrada ao público.
E a Cia Zepellin, você está com ela desde a formação?
Não, comecei a trabalhar com a Zeppelin a partir de “A Incrível Confeitaria do Senhor Pellica” em 2005. Cine-Teatro Limite é meu terceiro trabalho nela.
O que você pensa dessa polêmica sobre a meia-entrada nos teatros?
Acho terrível e deve ser eliminada. Sei que se espera a aprovação no Congresso de um projeto que limita em 30 por cento a venda de meia-entrada. Por mim, não haveria nem isso. Quem subsidia essa diferença das entradas para aquele que está ali trabalhando? Ninguém. E o custo de uma produção é enorme. Imagina o governo decretar que um médico deve cobrar metade do valor da consulta. Ou um engenheiro, um professor, enfim, qualquer profissional que tenta viver do seu trabalho de forma honesta? Não há justificativa para essa lei que apenas inflaciona o preço dos ingressos e causa uma demanda infinita de documentos falsos. E o pior, o cidadão que não falsifica vira um otário, pois ele paga o valor alto, reajustado devido à Lei de meia-entrada. Criou-se um grupo grande de pessoas que acha que teatro tem que ser baratinho. Quando não de graça. Se você fizer uma peça a 1 real, pode ter certeza que muitos que possuem carteirinha vão querer pagar 50 centavos. Isso aconteceu no Rio de Janeiro, inclusive com uma peça com a Fernanda Montenegro. É uma falta de respeito. Não tem nada a ver com direito adquirido e sim com direito perdido, o de poder estabelecer o valor do nosso próprio trabalho. Hoje a meia-entrada é um dos piores inimigos do teatro.
Você já fez algumas participações no TV e cinema. Pretende investir nesses veículos?
Já fiz sim, mas o que me toma tempo, preocupação e me dá alegria e dor de cabeça é o teatro. Cada vez mais acumulo funções nele, e acho que isso tende a aumentar nos próximos anos.
Repetindo a pergunta que o Sandro fez ao Sidney Rodrigues, como enxerga a produção teatral no Brasil?
Rica, variada, vibrante e repleta de particularidades. Mas, ao mesmo tempo, carente de recursos e sem uma política cultural. É isso que o governo deve priorizar. Uma política cultural que fortaleça companhias e revitalize o teatro amador. É nele que aparecem os grandes talentos, gente disposta a lutar pelo e para o teatro. Mas, sinceramente, o teatro não parece ser motivo de preocupação desse governo.
Você é natural de Penápolis e estudou Artes Cênicas em Campinas, que são cidades do interior paulista. Você tem contato com grupos de teatro e artistas dessa região?
Foi na minha cidade que comecei a fazer teatro amador. E como eu disse acima: teatro amador é movido por paixão unicamente. Não se ganha dinheiro. Lá você está por amor ao ofício e aprende que esse amor deve ser desmedido mesmo, insano, arrebatador e que você provavelmente é uma ovelha negra, desgarrado das convenções que, numa cidade pequena, são enormes. Mas sempre tive apoio de amigos e, principalmente, dos meus pais. Sou muito grato a eles, verdadeiros artistas. Então, sempre me senti acolhido. E foi lá, em Penápolis que tive meu primeiro professor de teatro, Marcos Viana. Ele olhou para mim e disse que eu seria um profissional, e escutar isso num momento de decisão, de fazer escolhas e acreditar em si mesmo, foi o maior incentivo que eu poderia ter tido. Ele foi provavelmente o professor mais importante da minha vida.
A atriz Lavínia Pannunzio, numa entrevista realizada em 2006, citou você como exemplo de um ator que produz uma formação consistente: se você vê o Sérgio Módena vai perceber que ele é técnico, inteligente e tem vitalidade. Tem um corpo de bailarino, parece Barishnikov... sabe chegar lá, usar a voz e o corpo, e isso é muito bom para o ator...Como você se prepara para viver um personagem?
Sou muito grato à Lavínia por essas palavras, uma atriz que admiro muitíssimo, talentosa e extremamente inteligente! Acho que boa parte da minha concepção de personagem vem de uma elaboração física. Não é algo pré-determinado, mas sim uma crença (às vezes inconsciente) de que apenas posso habitar o interior de um personagem se eu souber reproduzir seu exterior. E essa forma será sempre fruto do que eu imagino, um devaneio do que entendo por um rei, um bobo, um marujo, um homem comum, etc.
Mas tudo depende da direção. No caso, ela se referia ao Valério, de “Leonce e Lena”. Ali o processo se deu nessas circunstâncias. A interioridade foi acessada com a ajuda do físico, que é como acontece na vida. Uma coisa está associada a outra. E a estética é sempre reveladora quando não tratada de forma superficial. E isso não tem nada a ver com o gênero de dramaturgia com que se está trabalhando.

Como foi dirigir Coração Inquieto e mexer com os preceitos da Igreja Católica por humanizar a vida de Santo Agostinho?
Na verdade, eu me surpreendi com a presença de jovens padres na platéia dispostos a dialogar e refletir sobre esse grande ícone do pensamento cristão. Foi uma grata surpresa, pois o espetáculo era realmente um questionamento sobre o discurso de Agostinho e como ele se tornou a maior referência filosófica da igreja. Em suma, um espetáculo que se posicionava criticamente com sua filosofia.
O pensamento de Agostinho está em praticamente todos os modelos comportamentais do cristianismo. E também inspirou as artes, a ciência, a filosofia e a psicanálise. Ele foi o homem mais influente da igreja, sem sombra de dúvida. Foi com ele que comecei a estudar filosofia. E é um tipo de estudo que transforma a gente. Ainda quero revisitar esse tema daqui a um tempo.
Cine Teatro limite fala de relações familiares, amorosas, de sonhos, fantasias e da história do Brasil. O que mais te toca nessa montagem?
O trânsito de dois gêneros, isto é, da comédia para o drama. Sábato é um jovem escritor que pretende escrever uma comédia musical sobre seu universo familiar. Porém, a comédia se interrompe quando a ida do seu irmão para a Segunda Guerra o abala completamente e essa ausência repentina repercute negativamente em sua família (que fica devastada).
Ele escreve cartas para os pais como se fosse o irmão, pois já não tem mais notícias dele. Essa tentativa simples e ingênua de ajudar os pais através de uma ficção de outra natureza é muito tocante. É um texto que me emociona muito. Além de que, quer coisa mais emocionante do que um espetáculo que tenha cartas? Sempre achei carta algo melancólico. Ela sempre representa a distância de alguém, na maioria das vezes, alguém por quem temos afeto, amor. Carta é saudade.
Cine-teatro Limite faz uma deliciosa mistura entre comédia e drama. Essa é uma característica dos trabalhos da Cia Zepellin?
Acho que é uma característica dos textos do Pedro, pelo menos dos 3 já montados pela companhia.
E quanto à reação do público, como ele reage com essa mistura (comédia e drama) e com a própria história da peça, que mexe muito com os sentimentos familiares?
Pois é, a platéia adora o drama familiar, pois existe uma grande margem de reconhecimento. E como a vida possui seus momentos de drama, comédia, melodrama (e por que não musical?), o passeio por esses gêneros é muito divertido, um outro modo de reconhecimento que o público tem de suas vidas ali no palco. Como bem disse a resenha da Vejinha, o espectador se emociona em determinados momentos e ri em outros. É uma verdadeira comédia dramática.
Como você e Pedro delinearam o processo de criação do espetáculo para que a trilha, figurino, linguagem do texto e corporal atendessem às características dos anos 40?
Mantivemos as características dos anos quarenta de forma sugerida, através dos figurinos e dos elementos do cenário. Mas a casa e o quarto do Sábato são espaços de infinitas possibilidades. Ali, às vistas do público, essa mesma casa vira camarim, palco dos musicais e tudo o mais. Portanto, a época está ilustrada na montagem sem o peso de uma reconstituição histórica naturalista, o que dá margem para uma encenação mais poética.
E, durante o processo, abracei também a função de compositor. As canções que o elenco canta ao vivo são minhas. E foi muito divertido, pois elas evocam uma “irresponsabilidade” da chanchada e do teatro de revista. E somente assim eu me dei o direito de fazer essa músicas.
Projetos com a Companhia e pessoais...
Continuaremos com “Cine-Teatro Limite” no próximo ano. Além disso, tenho um projeto com o Newton Moreno para o primeiro semestre aqui em SP que, a meu ver, será muito especial. E também estou ensaiando uma peça com outra atriz da companhia, a Isabel Cavalcanti. É um texto do Paul Auster, chamado “O Gordo e O Magro Vão Para o Céu”, inspirado no universo do Beckett. A grata surpresa é que quem dirige esse espetáculo é o Gustavo Wabner ( que integra o elenco de Cine-Teatro). Ele, após ter sido diretor assistente de importantes diretores, como o Gabriel Villela e o Naum Alves de Souza, tem se revelado um diretor seguro, sensível e criativo. Espero que esse trabalho também venha para SP!


Entrevista elaborada para o site www.atuando.com.br


postado por: NANDA ROVERE 1:47 AM

Comments: Segunda-feira, Dezembro 08, 2008



HOMENAGEM

Ator, locutor, diretor e poeta mineiro JORGE EMIL






Estréia Calígula
Jorge Emil , Thiago Lacerda, Pedro Henrique Coutinho, Rodrigo Fregnan
Ando Camargo, Magali Biff, Pascoal da Conceição


Com alguns espetáculos encenados em Sampa e Rio, o ator mudou-se para São Paulo há pouco tempo e integra o elenco do espetáculo Calígula.
Vale a pena conhecer a trajetória desse talentoso artista e que São Paulo continue lhe oferecendo excelentes oportunidades de trabalho; e, claro, ofereça coisas boas na vida pessoal.
Bem-vindo a Sampa!


Por volta dos 10 anos começou a escrever histórias infantis e a fazer teatro.

Natural de Caratinga, MG, morou muitos anos em Montes Claros e Belo Horizonte. É Formado pelo Teatro Universitário da UFMG (1990), trabalhou em inúmeros espetáculos, como Diário de um louco, direção de Paulo César Bicalho (1989); Woyzeck, direção de Afonnso Drumond (1990); Sonho de uma noite de verão, direção de Werner Herzog (Rio, 1992); A obscena senhora D, de Hilda Hilst, direção de Eid Ribeiro (Rio, 1993); Lágrimas de um guarda-chuva, texto e direção de Eid Ribeiro (Rio, 1994); O beijo no asfalto, direção de Wilson Oliveira (1996);
The Addams, de Edmundo Gomes, direção de Carlos Gradim (1997) - Prêmio Sesc/Sated de Melhor Ator em Espetáculo para Crianças; Ricardo 3.º, de William Shakespeare, direção de Yara de Novaes (1999) - Prêmio Sesc/Sated de Melhor Ator.
Prêmio especial Sesc/Sated pelo conjunto de espetáculos (2000); Gota d'água, direção de Gabriel Villela (São Paulo, 2001); Educação Sentimental do Vampiro, direção de Felipe Hirsch (2007), Não Sobre Amor, direção de Felipe Hirsch (2008),
Dirigiu Noites brancas, de Dostoievski (1990) e Uma palavra por outra, de Jean Tardieu (2002).
Atuou no filme Batismo de Sangue, dir Helvécio Ratton e Os Desafinados, dir Walter Lima Jr.
Pela editora Bom Texto (RJ), publicou O dia múltiplo (2000) e Pequeno arsenal (2004), ambos de poesia.


Matérias interessantes:
igbandalarga.ig.com.br/materias/503501-504000/503686/503686_1.html www.saopaulo24horas.com/content/view/132/61/
www.jornalspiner.com.br/ www.revistainonline.com.br/ler_noticia_cultura.asp?secao=15¬icia=1548 vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/roteirosdasemana/emdestaque/teatro-407232.html rascunho.rpc.com.br/index.php?ras=secao.php&modelo=2&secao=25&lista=0&subsecao
www.panoramabrasil.com.br/Noticia.aspx?idNot=263231 tudoparana.globo.com/rascunho/ficcao/conteúdo.phtml?id=412521
portalliteral.terra.com.br/imprime_artigo/um-poeta-multiplo
http://www.hojeemdia.com.br/v2/busca/index.php?data_edicao_anterior=2007-05-21&sessao=12&ver=1¬icia=440
www.connect.com.br/magnus/colunas/2007,01,24/figurasefatos.htm
www.zetafilmes.com.br/ztv/off/p_beloblue.asp
del.art.br/criticas/vampiro.html
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=espetaculos_biografia&cd_verbete=475&cd_item=29&id_evento=388500
www1.an.com.br/2000/mar/21/0ane.htm
babado.ig.com.br/materias/037001-037500/37063/37063_1.html
www.hojeemdia.com.br/v2/busca/index.php?sessao=12&data_edicao_anterior=2007-05-21
www.objetosim.com.br/artes/sert%F5es/sertoes.htm
www.terra.com.br/istoe/1667/artes/1667_imperio_cinismo.htm


Um poema:

O ator tupiniquim

O ator tupiniquim,
que outrora fez grandes papéis,
precisa agora de uns mil-réis demais.
O teatro rasteja e, ora veja,
ele tenta as engrenagens da TV.
Faz teste pra ser rei.
Faz teste pra ser um grosso.
Pra ser fora-da-lei.
Pra ser bom moço.
E embora não passe em nada (ó sofrimento),
seu talento é inconteste, dizem; sim.
E só ausência é o seu bolso.
O ator tupiniquim.

O ator tupiniquim
vê filme com James Dean
que é um jeito de gritar socorro! no
fundo do poço.
Por fim,
num programa mirim,
ele faz teste pra ser cachorro:
negam-lhe o osso.
O ator tupiniquim,
entre Hamlet e Rin-Tin-Tin,
é lançado enfim aos cães
como carne de pescoço.

(do livro "O dia múltiplo", editora Bom Texto, 2000)




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Calígula



Calígula



Ricardo III



Rachel Ripani e Jorge Emil em Gota D´Água

postado por: NANDA ROVERE 9:21 PM

Comments:

O ator e dramaturgo Marcos Ferraz e suas inúmeras realizações





Sáb, 08 de Novembro de 2008 16:21 Nanda Rovere É um teatro preocupado em divertir. Não trata de nenhum assunto com profundidade, e sim diverte e suscita lembranças. Nos Três últimos espetáculos, homenageia uma década (80) considerada sem muita importância na cultura brasileira, mas que, no entanto, foi a responsável pelo surgimento de muitos artistas de talento, bem como pela (re) conquista da democracia. Bandas como Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Titãs, que estouraram naquela época, continuam fazendo sucesso até os dias de hoje. Além disso, vai na contra-mão dos musicais estrangeiros e valoriza a nossa música.


O sucesso é demonstrado pelas diversas temporadas que Sessão da Tarde e Lado B (além do já consagrado Na Cama Com Tarantino), estão fazendo nos teatros de São Paulo.
No momento, Marcos está em cartaz, como ator, no espetáculo Sonho de Uma Noite de Verão, no Teatro Aliança Francesa, São Paulo.

Como foi a descoberta do teatro. O que surgiu primeiro, o ator ou o dramaturgo?
Marcos Ferraz: Quando era criança gostava muito de brincar de teatro e também gostava muito de escrever. na adolescência entrei num curso de teatro e gostei daquele ambiente bacana, com pessoas interessantes. Mas profissionalmente o que veio primeiro foi o ator.

Como uma atividade está entrelaçada na outra?
Marcos: Está totalmente entrelaçada, pelo menos no meu caso. Quando estou escrevendo penso muito nos atores e quando estou atuando penso muito no autor, no tempo que ele levou para escrever determinado texto, no cuidado com a escolha da palavra certa...

Como surgiu o Companhia de Teatro Ópera Rock e como é dividir a criação coma Fezu Duarte, Fabio Ock e Marcos Okura?
Marcos: Bem, a gente começou no TBC, na época em que a Fezu Duarte administrava o teatro. Lá nós ainda éramos o "núcleo jovem da Companhia de Repertório do TBC". Isso foi de 2001 a 2003. Em 2004 já estávamos desvinculados do TBC e fundamos (renomeamos) a Cia de Teatro Rock. Foi quando fizemos "R-evolução urbana", o 1º musical com músicas da Legião Urbana liberadas pela própria família do Renato Russo. Quanto a trabalhar com Marcos, Fábio e Fezu é um prazer. Nós temos a mesma linguagem, olhares parecidos sobre o mundo e a arte... Somos sobretudo amigos. É como uma banda de rock de garagem.

Você escreve essencialmente para um público jovem, como vê o jovem na atualidade?
Marcos: Eu tenho a impressão que jovem sempre foi e sempre será igual. É claro que as questões sociais mudam, mas o jovem da década de 50 é essencialmente igual ao jovem de hoje. Os conflitos existenciais são os mesmos: a busca pela sua afirmação perante o mundo, a descoberta do amor e do sexo, o frescor das ideologias, o ímpeto pela mudança e pela novidade. Agora, é claro, o jovem não é uma coisa só. Nós temos movimentos juvenis muito interessantes, mas por outro lado vemos uma onda neonazista querendo renascer. Acredito que este seja o movimento natural da humanidade. Sempre haverá a dualidade.

Neste sentido, quais os cuidados que você tem ao escrever um texto que pode influenciar quem o assiste?
Marcos: Pois é, o cuidado maior é não impor regras, não moralizar situações nem personagens.é torná-los (os personagens e a história) o mais humanos possíveis para que o espectador se identifique e veja alguém que poderia ser ele ali no palco. Penso que isso não se restringe ao jovem, mas ao espectador em geral. Sua pergunta é muito pertinente porque quando escrevo não penso no jovem ou no adulto ou na criança, penso em contar uma história, e aí, talvez por eu lançar mão de uma linguagem pop na minha escrita, ela acabe se direcionando para o jovem.

As situações vividas pelos personagens são inspiradas nas suas vivências?
Marcos: Algumas sim, outras não. Acho que isso acontece com a maioria dos autores. Nem tudo é ficção, nem tudo é realidade. a maior parte vem da imaginação, mesmo. Existem as influências: os beatnicks, a pop art, o cinema americano, as chanchadas nacionais, o teatro de revista, os poetas da geração de 70 e 80, enfim, uma infinidade delas.


No lado B e Sessão da tarde você fala sobre os anos 80. Quais fatos daqueles anos marcaram a sua vida?
Marcos: Existem os fatos pessoais e os fatos histórico-culturais. o que mais me marcou, como não poderia deixar de ser, foi a morte do meu pai, quando eu ainda tinha 8 anos de idade. Este fato mudou o curso da minha vida tanto emocionalmente como financeiramente. Culturalmente a consolidação da cultura pop aqui no Brasil, também mudou a minha vida. Não só a minha, mas da grande maioria dos jovens. Ouvir Legião,Cazuza, Paralamas, Titãs e toda aquela galera dessa geração nos fez acreditar que nós (mais novos) também podíamos fazer isso, podíamos acreditar e realizar nossos sonhos.

É muito interessante ouvir os hits daqueles anos. Quais canções você cita como marcantes?
Marcos: Existem alguns marcos que eu considero importantes. o surgimento dessa geração que se deu com os lançamentos do vinis da Gang 90 e da Blitz e logo em seguida do Barão, todos entre 1981 e 1982. A outra marca foi com a invasão de Brasília aqui no sudeste, quando chegaram os Paralamas, que por sua vez, trouxeram a Legião. Aí veio o rock'n'rio. Mas acho que 1986 foi o ano que teve o maior número de bons álbuns. Não coincidentemente foi o ano do plano cruzado. Houve então um boom no consumo em geral e a indústria fonográfica cresceu absurdamente.é deste ano o disco "dois" da Legião, o 1º do RPM, o "selvagem" dos Paralamas,"Cabeça Dinossauro" dos Titãs, só pra dar as principais amostras.

Todos os seus espetáculos são musicais ou privilegiam a música. Como vê o musical brasileiro inserido na cena teatral atual, diante dos sucessos estrangeiros...
Marcos: O Brasil é um país extremamente musical. Penso que um tipo de teatro não exclui o outro. Há espaço e público para todos. Os musicais norte americanos são belos e exatos, mas muitas vezes não nos dizem respeito. Outras vezes o mais importante é o show de luzes ou as fantásticas trocas de cenários e figurinos. Tudo isso é interessante e bonito de se ver, mas se não vier acompanhado de uma boa história, de uma direção criativa e de bons atores, a magia do teatro não acontece. Ainda acho que estamos defasados quando falamos de dramaturgia musical, existem poucos autores que se dedicam a este gênero.

Fale sobre Na Cama com Tarantino. Qual a sua ligação com as histórias em quadrinhos e como Quentin Tarantino inspirou o estilo da peça?
Marcos: Na cama com Tarantino foi um projeto que surgiu, se não me falha a memória, do Fábio Ock. O título é dele, inclusive. Acho que todo roteirista, mesmo os que não gostam, devem admitir que o Tarantino mudou o cenário "hollywoodiano".até então não havia nada igual a "Pulp Fiction". Quando assistimos o filme vimos tudo o que nós queríamos fazer. Tudo estava ali: a linguagem pop, as referências trashs, o humor... Como também sentimos isso com Baz Luhrmann que dirigiu "Romeu e Julieta" e em seguida o fantástico "Moulin Rouge", que, sob o meu ponto de vista, é um divisor de águas no jeito de se contar uma história. Concluindo: tanto os quadrinhos, como os filmes do Tarantino estão dentro desse universo do entretenimento, da cultura "(pop)ular”, da arte que pode ser comprada na banca de jornal e, ao mesmo tempo, não ser descartável.

Qual a diferença entre Lado B e Sessão da Tarde, já que os dois espetáculos falam dos anos 80?
Marcos: A Cia. de Teatro Rock pensou em fazer a trilogia dos anos 80. Começamos com"R-evolução Urbana", como disse. Depois pensamos em fazer dois espetáculos que se complementassem, mas que fossem independentes um do outro. Como um vinil, que tem no seu lado a músicas com mais probabilidades de virar um hit, e o lado b com músicas compostas sem esta preocupação."A sessão da Tarde..." é o nosso Lado A, com canções e temas mais suaves."Lado B" trata de alguns temas mais pesados, mas sem perder o humor.

Cite as mudanças que mais te chamam a atenção, dos anos 80 para o momento em que estamos vivendo.
Marcos: A revolução tecnológica é sem dúvida a maior mudança comportamental desse período. Eu passei minha infância e adolescência sem Internet, celular, câmera digital. Meu filho tem 4 anos e já sabe mexer em tudo isso. A visão do mundo certamente será outra. Melhor ou pior, só o tempo dirá.

Como é a reação do público que assiste Sessão da Tarde e Lado B?
Marcos: Quando você é um profissional da arte (no bom sentido do termo), você se cerca e trabalha das mais variáveis formas possíveis para que o resultado da obra saia o mais perto possível do se foi idealizado. Mas depois que a obra foi finalizada e apresentada para o público, os artistas deixam de ser os donos da obra e passam a ser co-autores junto com o público. Nós, da Cia.de Teatro Rock, tínhamos dúvida quanto à faixa etária do público que iríamos atingir. Por um desses mistérios da arte, conseguimos atingir todas as idades. Quem viveu os anos 80 tem verdadeiros surtos na platéia, relembrando histórias, músicas e referências. Quem é mais jovem se identifica com a história da turma e passa a gostar das músicas. Quem é mais velho olha com ternura a inocência e a celebração da alegria no palco.

Muitos artistas reclamam das dificuldades para se fazer teatro no Brasil. Como vocês viabilizam as montagens?
Marcos: Primeiro: tem que ter talento e vocação; e isso não tem nada a ver com sucesso ou fracasso. Sucesso e fracasso são muito parecidos e envolvem coisas conhecidas e identificáveis por nós (artistas, críticos e público) e coisas inexplicáveis. Segundo: nem todo mundo pensa assim, mas tem que ser sincero. Tem que querer dizer alguma coisa, ou querer dizer nada, mas sendo sincero. Terceiro: tem que correr atrás, trabalhar muito, aprender a produzir e parar de reclamar, porque o tempo que se gasta reclamando, pode ser usado para arregassar as mangas.

Vocês estão ficando em cartaz durante a semana, terças e quartas, geralmente, é uma opção para driblar a falta de espaços?
Marcos: Sim. A gente não tem grana para pagar um aluguel de teatro. Mesmo com patrocínio, os custos das nossas produções são caros (dentro de um padrão médio de produção de teatro aqui em São Paulo). Sempre trabalhamos com equipe que tem em média 25 profissionais envolvidos, mais microfones, direitos autorais e equipamento de som. Por esses motivos também não podemos fazer temporadas em qualquer teatro. a casa de espetáculos tem que ter o mínimo de estrutura para abrigar um musical. Sobram poucos lugares e horários. Voltando a pergunta anterior, se ficássemos reclamando não teríamos feito nada. Nossa primeira pauta para"A Sessão da Tarde" era terças e quartas às 19h. Ninguém queria esta pauta. Nós aceitamos e lotávamos o teatro. Depois passamos para terça às 21h. Lotamos. Quarta ou quinta, a mesma coisa. Quer dizer, hoje em dia, essa coisa de fim de semana é relativa, principalmente aqui em São Paulo.

Qual a função do teatro na sociedade atual?
Marcos: O teatro tem várias funções. A arte em geral tem. Não sei... É muito difícil falar sobre isso com palavras e conceitos concretos, porque a arte é um bem imensurável. Eu posso cair no lugar comum e dizer que o teatro é o espelho da sociedade, ou é o provocador da humanidade, ou ainda que ele tem a função da catarse ou da educação. Ou que ele serve para fazer rir em tempos de miséria. Eu não sei falar sobre os outros. Pra mim é uma relação espiritual (sem dogmas ou religiões), onde pessoas se encontram para ficar mais perto do sagrado, para celebrar a vida.

Projetos...Marcos: Tem muita coisa. Continuar a peregrinação das peças "A Sessão da Tarde..." e "Lado B". Fazer viagens e teatros fora do circuito do centro. Estamos começando a pré-produção do novo espetáculo da cia, que, se tudo correr bem, estreará no primeiro semestre de 2009. Tem também o "Sessão-remix", uma versão do "A Sessão da Tarde" na balada, no mesmo local onde é a "Trash 80". Na TV estou no time de roteiristas do seriado "Mothern" exibido na GNT. e alguns projetos que ainda não posso dizer por questões contratuais.
Entrevistado : MARCOS FERRAZ
Por Nanda Rovere para www.del.art.br e Spiner


postado por: NANDA ROVERE 9:19 PM


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